moda pra ler


Resenha
Julho 21, 2007, 8:50 pm
Arquivado em: Colaborações, Jornalismo de Moda


Só se falou dos Simpson na Haper´s Bazaar essa semana. Aproveito o tema para fazer propaganda Rolling Stone 10 que tem o patriarca Homer Simpson na capa e a resenha que escrevi sobre o livro do Herchcovitch na página 123.

Cartas a um Jovem Estilista – A Moda como Profissão.

**1/2
Alexandre Herchcovitch
Editora Campus


Moda Versátil

Do guarda-roupa à mesa de cabeceira. Usando o exemplo triste de um antecessor, Dener Pamplona de Abreu, o estilista Alexandre Herchcovitch aconselha aqueles que querem seguir carreira no mercado de moda a esquecer as plumas e paetês e lembrar que as contas têm dia de vencimento.

“Cartas a um Jovem Estilista: a moda como profissão” cumpre seu papel instrutivo e revela com bom humor como Herchcovitch transformou as complicadas consoantes de seu sobrenome no á-bê-cê da moda brasileira.

O criador descreve com naturalidade seus feitos profissionais e suas mudanças pessoais - do clubber, amante de caveiras que fazia roupas para drag queens, ao empresário, de visual clean celebrado dentro e fora do país.

Entre os ingredientes da receita de seu êxito estão :o contato com a moda desde cedo, o talento para unir o comercial e o conceitual, uma pitada de habilidade judaica para os negócios, o apoio de uma equipe fiel, competente e afetuosa, e a ousadia de unir, por exemplo, Carmen Miranda e Hello Kitty na mesma coleção. No entanto, a experiência literária do estilista prova que acima de tudo, sua versatilidade é a maior causa de seu sucesso. Ela é um sinônimo da moda.



Revista Moda 22
Julho 6, 2007, 9:26 pm
Arquivado em: Colaborações

Saiu hoje a edição 22 da revista Moda uma matéria minha sobre as marcas que não optaram por não desfilar nas semanas de moda. Em breve a matéria está disponível no site do jornal para assinante. Quem comprou corre na página 18.

O outro ladoDesfilar ou não desfilar?
Marcas bem-sucedidas provam que há vida fora do circuito das grandes semanas de moda

Duas vezes por ano as atenções do país se voltam para o Fashion Rio e para a São Paulo Fashion Week. Para participar de um desses eventos é necessário ser convidado pelos respectivos organizadores. Enquanto muitos esperam uma oportunidade, a corrida por uma vaga não aflige algumas marcas e estilistas, que preferem construir suas trajetórias à margem das principais semanas de moda brasileiras.

Adriana Barra, estilista paulistana amada pelas celebridades, acumula todos os elementos para participar de uma semana de moda: roupas criativas, uma charmosa loja em uma vila nos Jardins, clientes fiéis, negócios em expansão e a simpatia do organizador da SPFW. Mesmo assim, o maior acontecimento de moda do país não a atrai. “Paulo Borges disse informalmente que seria legal se eu participasse, mas na SPFW são muitas as obrigações para assumir. Por enquanto, minha grande passarela são as mulheres usando as minhas criações na rua”, diz.

Carolina Dieckmann é uma das famosas que está na lista de clientes de Adriana. A atriz, contudo, acredita que as semanas de moda são importantes para os estilistas. “É a oportunidade que eles têm para mostrar o que criaram, num momento em que toda a imprensa está voltada para isso”, afirma.

A consultora de moda Mariana Rocha mensura o alcance das semanas de moda. “Os desfiles são grandes campanhas publicitárias, e nesse sentido não há nada igual”, diz. A editora de moda da revista “Vogue”, Maria Prata, tem outra opinião: “Não acho que o desfile seja o principal meio de tornar a marca conhecida. Muitos criadores ainda não têm estrutura para desfilar”.

Para a “stylist” Marina Franco, o desfile é sempre válido, mesmo sem todas as condições necessárias. Para ela, o que importa é o resultado que a empresa espera desse investimento. “O desfile é um degrau a mais. A pergunta que o designer tem que fazer antes de entrar em uma semana de moda é se seu comprador vai a esse tipo de evento.”

A resposta da pergunta sugerida pela “stylist” foi o que estimulou a estilista paulistana Cris Barros a realizar desfiles solos. A apresentação das coleções é sempre realizada em lugares sofisticados, como o restaurante Fasano, e tem em sua lista de convidados os clientes de atacado e varejo e muitas celebridades. “Marcamos nas datas e horários mais convenientes aos nossos compradores. As roupas apresentadas estão disponíveis na loja no dia seguinte. Esse método traz bastante força nas vendas”, afirma.

Com o foco sempre voltado para a área comercial, a Le Lis Blanc possui mais de 30 lojas em todo país. São dez espaços próprios e outros 20 licenciados. A divulgação da marca é feita por meio de um intenso trabalho voltado aos licenciados, anúncios publicitários e marketing de relacionamento com as clientes. No lugar de catálogo, a grife faz uma revista, onde dá dicas de viagens, gastronomia e estilo de vida. A empresa nunca pensou em participar de uma semana de moda. “A Le Lis Blanc não é uma marca criadora. Além disso, enquanto esses eventos acontecem, as novas coleções já estão nas araras”, conta Célia Jezler, diretora de marketing da marca.
Mesmo com objetivos diferentes da Le Lis Blanc, alguns jovens estilistas preferem deixar as semanas de moda de lado e continuar apostando no conceito com uma atitude discreta e a estrutura pequena.

A Maria Garcia, marca jovem da Huis Clos, já foi sondada pelos organizadores da SPFW e recusou o convite. “O desfile exige uma estrutura de fábrica que atualmente não temos”, diz a diretora de estilo da grife, Camila Cutolo. “A nossa cliente quer exclusividade. Na SPFW ficaria difícil manter essa característica”, completa.
“Gosto desse clima de segredinho”, diverte-se a estilista Giovana Hassler, dona da empresa que leva seu nome. Ela divide com a criadora da Maria Garcia a vontade de manter a discrição de sua grife. “A melhor propaganda é a boca-a-boca. Tenho medo de participar de um grande evento e descaracterizar a marca”, revela.

A grife de moda praia Jo de Mer abriu no final de 2006 sua segunda loja, no shopping Iguatemi. Sua proprietária, a ex-editora de moda Amália Spinardi, também não planeja desfiles da marca. “A empresa é pequena, e a produção é restrita. Tenho dúvidas se um desfile de grande proporção trará resultados que justifiquem o investimento. Se alguém me provar o contrário, pensarei na possibilidade”, analisa.

A pesquisadora de moda Carol Garcia concorda com a atitude das estilistas. “É fundamental o criador saber o que ele quer do produto. A passarela é um pedaço do sonho. O estilista não pode decepcionar o consumidor. Tem que dar continuidade a esse mundo mágico na vida real”, diz.

por Laura Artigas
fotos Filipe Redondo



Águas passadas
Fevereiro 27, 2007, 11:02 pm
Arquivado em: Colaborações, Entrevistas

Já faz um tempinho, a editora Cosac Naify publicou no seu site uma parte da entrevista que fiz com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha para a edição número 38 da revista Simples.
Reproduzo a baixo para os leitores.

O assunto é arquitetura, mas o Tufi Duek fez uma coleção inspirada em Oscar Niemeyer para o inverno 2007. O que não são os estilistas se não arquitetos da roupa?

O DESAFIO DA ARQUITETURA
Entrevista para Laura Artigas Forti

Para receber o prêmio Pritzker você viajou para Istambul. Como é Istambul na visão de um arquiteto brasileiro?
Istambul é uma cidade que tem a vivacidade e a urgência que São Paulo também mostra com muita clareza. Uma cidade onde a animação existe. Não precisa jogar bolinha na praia para dizer que a população é alegre. Canta-se na rua. Em Istambul, canta-se aquelas orações nas mesquitas, minaretes… É muito impressionante. Uma certa exibição nítida de disciplina urbana. É uma população altamente civilizada lá e também aqui. É nesse sentido que você sente uma contemporaneidade dos dois: Istambul e São Paulo. Acho que, por mais que seja uma visão imaginosa, ela está sustentada com estímulos de veracidade. Nós não temos testemunho de coisas semelhantes diretamente pela forma. Mas no fundo somos todos a mesma civilização. Prefiro passar por cima de bandeiras, limites de país. Tudo isso é muito artificial. A natureza não sabe se está na Argentina ou no Brasil. Essas contradições são interessantes para os arquitetos considerarem, pelo menos para aquele arquiteto que presume que possa desenhar e arrumar o espaço da cidade. Na arquitetura não há limite. Arquitetura é lingüística, antropologia, ciência e filosofia. Aí, quando você viaja vê coisas estranhas, como São Paulo e Istambul. Como a questão dos minaretes [ torre de onde se anuncia a hora da oração para os muçulmanos ]. A civilização cristã adotou o toque dos sinos, que é um código que poderia servir para chamar gado. Os arautos nos minaretes fazem um discurso que, mesmo sem entender, você sente que é encantado. Parece um rap. No fundo tudo isso é poesia.

Como sentir essa vivacidade em São Paulo?
O que é mais comovente em qualquer cidade do mundo é justamente o contraponto entre necessidade e desejo, um pouco como Marx dizia. As pessoas se comportam bem porque é tudo contraditório. É tão difícil o que as pessoas fazem todo dia: vestir as roupas de várias épocas, trabalhar nos escritórios mesmo que tenha que esperar quatro horas para chegar ao trabalho. A cidade é um desejo do homem. Isso é evidente. Há ainda outra contradição comovente: o que parece que poderia ser fácil de fazer não é, porque não tem escola, não tem transporte público adequado.

Você, quando fala de arquitetura, fala da cidade. Por quê?
Cada vez é mais difícil para quem não é filósofo fazer um discurso contundente sobre essas coisas, sem que fique com cara de lugar-comum, com cara de coisa já dita. Não se pode abrir mão da idéia de liberdade para quem tem dimensão da condição do intelectual. Tem-se de assumir essa responsabilidade principalmente num país de analfabetos. A primeira providência é ter que ensinar o outro. É necessário afastar a compartimentação das áreas do conhecimento que é feita para um projeto de exploração. “Você tem diploma disso e você não pode ir adiante porque o outro entende daquilo.” Não importa se os teóricos estão ou não de acordo. Pra mim, uma visão paladiana de arquitetura não faz muito sentido: o edifício e as suas regras. Esse raciocínio é outro, é sobre a condição humana na natureza. Você põe a geografia na questão, além da arquitetura. O território é transformado para o homem habitar um pântano, um mangue dragado, drenado. A cidade de Santos, sem Saturnino de Brito, seria impossível. Com seu plano de saneamento foi tudo drenado e se hoje está tudo podre é porque nunca mais pensaram naquilo. Temos experiências brasileiras de transformação da natureza num lugar habitável, porque ela por si só não é. É muito interessante pensar nisso, não é novidade. Mas pouco a pouco essa visão íntegra se deixa desmantelar, degenerar. Eu defendo essa visão no âmbito da universidade. Essa proliferação de escolinhas isoladas é uma fratura em relação à formação. O que nós chamamos de degenerescência, presume que deve ter tido algo muito bom antes, senão não teremos matéria para degenerar. E é o que estamos vivendo, uma grande possibilidade de excelência de tecnologia, e a grande possibilidade de uma terrível degenerescência para tudo, ao mesmo tempo em que não há formação. E a ausência dessa formação inteira é que faz com que as coisas se degenerem, porque a pessoa fica sem recurso para o que chamamos de reconsideração. O arquiteto pode ganhar um prêmio se fizer um forno crematório.

Sua formação passou por essas questões?
Eu me formei no Mackenzie e tive como professor Cristiano Stocker das Neves, que era um homem de uma integridade incrível. Depois fui assistente do Vilanova Artigas. Meu pai foi diretor da Escola Politécnica. Foi no nosso meio que surgiram essas idéias. Por isso defendo o ensino da arquitetura de uma maneira abrangente, como forma peculiar de conhecimento. É muito estimulante para a universidade não se isolar da universidade. Arquitetura não pode ser exercida fora das outras áreas de conhecimento.

Essa maneira de ver o território transformado nos leva de volta à questão dos territórios da América Latina e da dificuldade de nos reconhecermos como parte do continente. Como a arquitetura contribui com isso?
Não vejo nenhum privilégio para os arquitetos. Ao contrário, é um desafio. É um território onde a civilização chamada européia aportou num momento histórico importante. Não foi a primeira vez. O museu de antropologia mostrou que outros já tinham estado há muito tempo. Mas houve uma interrupção nesse processo e chegou o contingente dos navegantes já noticiando Galileu Galilei e a nova consciência sobre o universo. Esse é um momento extraordinário para o território da América. Portanto, esse raciocínio é recente, como é recente essa visão da arquitetura como forma peculiar de conhecimento. É um modo de o homem se apropriar de tudo o que sabe para constituir o seu lugar, seu habitat posto aqui na América há 300, 400 anos. É muito impressionante. Uma coisa que me impressionou muito: em 2005, comemoraram-se 300 anos da fundação de Leningrado [ São Petersburgo ]. Uma cidade, portanto, mais jovem que a nossa. É perfeita porque já construída com os conceitos de navegação, com pontes, museus. É uma belíssima cidade. E as nossas cidades têm traços coloniais. Isso é uma questão política. A réplica de tudo isso seria muito americana, mais do que colombiana, argentina, ou brasileira. Essa natureza (latino-americana), antes de mais nada, cria a necessidade, imprescindível, de muitas passagens entre o Atlântico e o Pacífico. Ainda para instigar a nós todos, fica essa caricatura do tratado de Tordesilhas, como se alguém com um marchete dividisse entre dois famintos um presunto. É uma demonstração da estupidez. Portanto, a resposta é um discurso americano. Não que eu possa imaginar uma arquitetura daqui ou dali. É uma questão do homem.

O prêmio Pritzker trouxe à tona a existência de uma “escola paulista” de arquitetura, da qual você faria parte. O que acha disso?
Temos que ter uma certa tolerância com os críticos, eles são obrigados a encaixar você em alguma coisa. É difícil alguém que seja só crítico. Ele é em geral historiógrafo, antropólogo, filósofo. Hoje em dia, essa visão de arquitetura de amplo horizonte sobre a questão é configurada com clareza com todas as formas de conhecimento, ninguém pode ser estritamente antropólogo, ou historiador. Torna-se lingüista e filósofo, necessariamente, pela intriga da questão. Essa compartimentação da especialidade é que é a falha. Sempre foi assim, mas hoje é muito perigoso. A especialidade é o grande instrumento do desastre.

A “escola paulista” não seria viver intensamente a realidade dessa imensa e difícil cidade? Como você vive e aproveita São Paulo?
Tenho um pouco de pudor quanto a isso, eu aproveito tanto que acho até injusto. É uma cidade em que você deveria chorar de manhã até a noite. Aqui mesmo onde nós estamos conversando, você passa por cima de criança dormindo na rua. O problema é você não se tornar conformista e saber que tudo isso é a condição que tem para progredir, ir adiante e não para aceitar. O estímulo à indignação não é mau, mesmo que eu não defenda o quanto pior melhor. Não adianta ser o santinho do quarteirão, o assistente social. Aliás, as pessoas que se dedicam a isso são as mais frágeis.

Mesmo assim você mora e trabalha no centro da cidade em vez de procurar um lugar mais tranqüilo. Por quê?
Fui educado que centro é o lugar privilegiado da cidade, onde você encontra tudo. Eu não entendo colegas que vão para bairros e esquecem que quem trabalha com eles às vezes não tem automóvel. As empresas que mudaram para bairros nobres deslocaram seu trabalhador. Faz parte da ideologia dessa classe dominante maligna. Quando o metrô chegou na praça da República, a tradicional Escola Caetano de Campos foi desmantelada para abrigar a Secretaria da Educação, que pode estar em qualquer lugar. A política pode ser um instrumento de dominação: se seu funcionário tem tempo para pensar, ele pode supor transformações na estrutura da sociedade; se ele não pode pensar ele trabalha pra comer. Uma visão ideológica defende o tempo livre. A cidade presume estabelecer o tempo livre, a sobra de tempo para você pensar.

O seu prêmio reativou uma discussão sobre arquitetura, tema que deixou de freqüentar os cadernos de cultura e de cidades dos jornais desde os anos 70, quando a ditadura se acirrou e Brasília já não era novidade. A que se deve essa desvalorização?
A arquitetura em forma de crítica pode ser de fato tão forte que ela foi abandonada Esse abandono é uma estratégia para limpar a área, para produzir o desastre. É por isso que a imprensa não fala sobre arquitetura. Prefere falar de ensino, de engenharia de transporte, prefere isolar os fatos por temor da consistência do crítico, que pode ver a necessidade de conforto da população no âmbito da arquitetura. Vilanova Artigas dizia: “As cidades como as casas, as casas como as cidades”. Hoje, quem sabe construir um barraco em favela é um grande urbanista. Até poderia ser de fato, se fosse estimulado a raciocinar com clareza para saber onde está o grande engano que produz a própria favela. A visão do sucesso da complexa espacialidade da cidade é uma visão de caráter arquitetônico, da arrumação das coisas: rede escolar, transporte… não adianta uma engenharia de tráfego como fato isolado. Primeiro era preciso se perguntar: “Será que essa avenida deveria estar aqui?”. E assim por diante, o Tietê, a geografia, topologia, desastres que podem ser anunciados antes. Quem projeta deve prever o sucesso. Se você está prevendo só o lucro, provavelmente vai produzir desastres. E o edifício como fato isolado, se ele em si pode ser assumido como perfeito, pode também ser um instrumento de desastre. Se você colocasse o Empire State Building na praça Navona (Roma), provavelmente seria um desastre. É isso que acontece conosco, nesses terreninhos de onde se tira uma casa antiga e se coloca um prédio. Você vê a avenida Paulista, é uma maravilha, mas se você quiser ver como desastre é fácil: cada palacete foi transformado em edifício, em fato isolado. A avenida em si não foi projetada nunca. O Conjunto Nacional é o único espaço contemporâneo de toda a avenida Paulista, porque a quadra inteira estava disponível. É o mínimo que você pode imaginar.

Você contrata escritórios de arquitetos jovens para desenvolver os projetos em conjunto. Também foi professor da Fau. Como é formar arquitetos?
Às vezes, a sensação que eu tenho é que eles estão cheios de mim. ( risos ) Ninguém aprende nada sem que haja a interlocução. Você não fala sozinho. Não me sinto formador de uma geração. É muito difícil. Você não agüenta você mesmo, imagina agüentar uma geração! Tomara que eles esqueçam rápido. As coisas andam muito depressa. Eu quero que fiquem idéias, conceitos, uma semente de uma certa genealogia da imaginação humana. Não se faz o novo pelo novo, se faz uma outra história. Portanto, aquilo que você pensa que desapareceu estimula muito mais, sobre muitas maneiras.



Resenha
Dezembro 19, 2006, 9:49 pm
Arquivado em: Colaborações

O texto a baixo escrevi para Rolling Stone, número 3 que está nas bancas com a Ivete Sangalo (muito linda, por sinal) na capa. Quem tiver a revista tá na página 125.

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“Pelo Mundo da Moda: Criadores, grifes e modelos”***
Lilian Pacce
Ed. Senac

Quando Lilian Pacce começou a escrever sobre moda perguntava às modelos “O que toca sempre no seu walkman?”. Do toca-fitas ao ipod, lá se vão 20 anos de cobertura jornalística de moda que a apresentadora do GNT Fashion sintetiza nessa seleção de entrevistas e reportagens. O livro tem prefácio respeitável assinado pela estilista inglesa Vivienne Westwood.

Os excessos da moda dos 80, o minimalismo dos 90 e a fusão de estilos do início do 00 são retratados nas entrelinhas dos depoimentos de Pierre Cardin, Yohji Yamamoto e Karl Lagerfeld, entre outros, agentes essenciais da moda nas últimas duas décadas. De Dalma Callado à debutante Camila Finn, a moda brasileira é retratada somente nas entrevistas com as modelos. Os criadores nacionais, que Lilian acompanha com intimidade, ficaram de fora. Numa próxima coletânea, talvez?

Os textos são datados, mas num mundo que muda a cada seis meses, a jornalista documenta os clássicos e aposta no que vai perdurar. Um registro interessante da evolução da moda e do trabalho da autora como repórter.



Gadgets Fashion
Dezembro 19, 2006, 9:21 pm
Arquivado em: Colaborações


Aparelhos eletrônicos viram símbolo de status e começam a tirar consumidores de moda

O guarda-roupa vazio do estudante de fisioterapia Raphael Cury, 18, contrasta com a mesa repleta de eletrônicos. O notebook divide espaço com o iPod, o palm top, a câmera fotográfica digital e o celular. “Tenho pouca roupa porque prefiro juntar meu dinheiro para comprar eletrônicos”, revela.

Um celular multifuncional com o design arrojado custa mais de R$1mil. O modelo mais barato de iPod vale cerca de 800 reais. Os valores altos já não assustam as meninas que começam a compartilhar a atitude de Raphael e economizam nas roupas para gastar com gadgets eletrônicos.

As bolsas que a aluna de arquitetura, Beatriz Vanzolini Moretti, 20, adora comprar tiveram que esperar seis meses até que ela conseguisse comprar o player da Apple. “Foi o maior investimento que já fiz”, confessa a proprietária de um modelo de 20GB. A lista de eletrônicos da estudante inclui celular com câmera, máquina fotográfica digital e palm top. O próximo passo é comprar um notebook.

Rony Rodrigues, diretor da pesquisa de tendências Box 1824, aponta que o iPod e todos os gadgets eletrônicos, mais que a moda, são a novidade: despertam o desejo de estar conectado com a última tecnologia e de poder carregá-la para todos os lugares. “Hoje o mesmo modelo de camiseta está na cadeia de lojas Zara e na grife de luxo Dior. Os eletrônicos estão em um patamar mais alto no imaginário dos consumidores. Dá mais status ficar com o mais difícil de alcançar”, explica.

As empresas de vestuário reconhecem o avanço nas vendas dos gadgets e as encaram como um verdadeiro desafio para o futuro da moda: “O gadgets são os novos brinquedos. Alcançaram o desejo dos adultos”, afirma o estilista Maxime Perelmuter. As grifes se preocupam cada vez mais coma substituição das roupas por esses novos objetos. “A moda tem que ficar atenta ao comportamento do cliente que consome eletrônicos para criar produtos cada vez mais desejáveis”, conta Cláudio Pessanha, diretor comercial da Zoomp.

Algumas marcas já optam por se juntar à concorrência. A marca de jeanswear Buccanes comemora o sucesso nas vendas da calça com porta iPod lançada em setembro: “É uma das peças mais caras da coleção de verão e as lojas estão pedindo reposição”, conta o proprietário Julio César Uga. A calça custa cerca de R$250,00. A Levi´s foi mais longe e criou um modelo que já vem com um iPod especialmente desenvolvido para a marca. “É natural que a moda se aproxime da tecnologia”, conta José Cláudio Motta diretor de marketing da empresa. A RedWire™ DLX custa R$1500,00 em edição limitada à venda em apenas duas lojas.

As mulheres dispostas a pagar pela tecnologia são o alvo das indústrias de eletrônicos que querem transformar seus produtos em acessórios fashion, de estilos tão diferentes quanto as roupas de uma temporada e que deixam de valer na próxima estação.

“O tempo de troca do celular diminui cada coleção. Hoje são 11 meses, contra 19 da temporada passada. Os modelos coloridos agradam muito às mulheres”, afirma Andréa Vasconcelos, gerente de marketing da fábrica de celulares Motorola. A empresa apresenta coleções de telefone há cinco anos na São Paulo Fashion Week.

No mesmo caminho segue a industria de eletrônicos Sony que já mostrou seu produtos em eventos das marcas V.Rom e Ellus 2nd Floor. “O mercado tem dobrado a cada ano e as mulheres têm contribuído muito para esse crescimento”, explica Marcus Trugilho, o gerente de comunicação da multinacional. Uma câmera digital cor-de-rosa de 7.2 mega pixels, de R$2 mil é a nova aposta em eletrônicos fashion da empresa.

Muitas mulheres ainda resistem, como a atriz Aline Baba continua abarrotado. O celular e a câmera digital foram presentes. “Não vou mandar cartas ou falar de orelhão. Os eletrônicos são práticos, mas não ajudam a ficar mais bonita como uma roupa faz”, diz.

A personal stylist Fernanda Resende, 28, por sua vez, conta que está se rendendo cada vez mais aos eletrônicos. Seu objeto preferido é o celular que também é palm top, câmera fotográfica e filmadora. “Ando avaliando custos e benefícios de eletrônicos em relação às roupas. Outro dia saí para comprar uma saia e voltei com um iPod”, revela.

***
Essa matéria fiz para a revista Moda da Folha de S.Paulo da última sexta-feira, dia 15. A Fernanda da Oficina de Estilo foi uma das entrevistadas.
A revista logo logo estará disponível na internet.



moda pra ver
Dezembro 8, 2006, 2:28 pm
Arquivado em: Colaborações, Dicas, na imprensa

A envergonhada editora do Moda pra ler, vulgo eu, foi a entrevistada da apresentadora Renata Simões no Revista Balada que foi ao ar ontem no multishow. Falei sobre as tendências macro e micro da moda. No site do canal tem um link para quem quiser assitir a matéria - precisa de cadastro para assistir.



No mundo das lolis
Novembro 10, 2006, 1:24 pm
Arquivado em: Colaborações

No último dia 31 saiu a edição 19 da revista Moda encartada na Folha de S. Paulo. Na página 47 a matéria “No mundo das lolis” foi feita por essa que aqui escreve.

No Mundo das Lolis

“É Gothic & Lolita, não tem tradução”, enfatiza Ana Elisa Gasparotto, 15 anos, com seu visual elaborado que lembra o de uma boneca de porcelana. O estilo Gothic &Lolita surgiu no Japão e reúne conceitos detalhados de conduta. Envolve etiqueta, elegância, inocência com um toque de mistério e se subdivide em vertentes, como sweet lolita e punk lolita. Em Tóquio está presente no famoso bairro de Harajuku e foi difundido no mundo todo por bandas de j-rock, o rock japonês.

No Brasil a história das Gothic & Lolitas começou há cerca de dois anos em eventos de anime (desenho animado japonês) e de mangás. Orkut, fotologs e listas de discussão são o ponto de encontro virtual dos adeptos do estilo que, em geral, usam apelidos característicos como Dark Chun Li e Saki Chan.

O mundo das “lolis”, como se apelidam, tem referências tradicionais sob uma nova abordagem. A indumentária retoma a elegância dos estilos gótico, vitoriano e barroco. Saias rodadas, sempre abaixo do joelho, rendas, laços e babados são obrigatórios. As meninas têm que recorrer a brechós e a costureiras, porque ainda não há lojas especializadas no Brasil.

“Uma Gothic & Lolita tem que ter bons modos à mesa, não pode sentar de perna aberta”, conta a revisora Deborah Pinto, 23 anos. Os valores, a primeira vista tradicionais, se associam ao culto da androgenia. O estilo remete explicitamente ao feminino, mas foi difundido por um homem, Mana, então guitarrista da banda Malice Mizer. Ele é o ícone do estilo Gothic Lolita. O artista hoje é líder da banda Moi Dix Móis e é dono da grife Moi-Même-Moitié, especializada em roupas Gothic Lolita no Japão.

Outras bandas de j-rock como Gazette, An Café e a cantora Kana povoam os i-pods das lolis. E as brasileiras não têm problemas em cantar em japonês. O visual desses ídolos é o principal atrativo e fonte de inspiração para os seguidores do estilo.

As Gothic & Lolitas freqüentam karaokê, fazem piqueniques ou promovem encontros regulares para tomar chá. Elas estão espalhadas por todo o Brasil e a sua maior comunidade do orkut tem mais de 5 mil adeptos, entre meninos e meninas. Em São Paulo, o bairro da Liberdade é o reduto natural das lolis.

A melhor forma para entender o complexo universo das Gothic & Lolitas é ser uma delas. A estudante Ananda Sander Pinto, 19, resume: “É a volta a um mundo que nunca existiu”.

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Link Folha de S. Paulo



Moda pra ler na revista
Setembro 25, 2006, 1:55 pm
Arquivado em: Colaborações

A Revista Simples voltou a ser editada bimestralmente em maio e deve voltar a ser mensal em breve. O Moda pra ler acompanha a publicação desde o começo e aprecia o visual e a abordagem mais livre e sofisticada sobre artes, moda, cinema, música e comportamento.

Na edição atual, número 38, a redatora que aqui escreve teve a oportunidade de contribuir com a revista e assinou a reportagem com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

Corre na banca para comprar! Custa R$8,00.



Moda e arte na periferia
Julho 26, 2006, 10:12 pm
Arquivado em: Colaborações

Outro dia apareceu no Jornal Nacional uma matéria sobre o curso de culinária do Projeto Arrastão e lembrei dessa matéria que fiz sobre o trabalho deles na área de moda. Vale a pena conhecer o empenho dessa ONG, cujas oficinas chegam a ter lista de espera com 1000 nomes.

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Projeto Arrastão organiza oficinas, atraindo jovens de bairros da zona Sul da cidade de São Paulo

Há três anos o Projeto Arrastão dá noções de moda e artes para jovens de bairros da zona Sul de São Paulo. O curso ministrado pelo artista plástico Nino Cais busca criar consciência crítica e gerar discussão entre os alunos usando a criação como pano de fundo.

O projeto Arrastão surgiu em 1968, com um grupo chamado Clube de Mães que ensinava trabalhos manuais em um barracão no Campo Limpo às mulheres da comunidade. Com a capacitação, essas mulheres conseguiram emprego e passaram a necessitar de um espaço para acolher suas crianças durante a jornada de trabalho. O barracão se transformou, então, em uma organização com o nome de Arrastão – Movimento de Promoção Humana – para receber os filhos das trabalhadoras.

O artista plástico Nino Cais trabalha na ONG há dez anos e teve a idéia de oferecer o curso de moda para os jovens da região. “O trabalho é mais conceitual do que técnico. Dou noções de história da moda, da arte e estimulo a criação”, explica Nino. A evolução do pensamento dos jovens pode ser vista ao longo do curso, segundo o professor: “Eles passam a se vestir de maneira mais criativa e criam gosto pela arte”.

A Oficina é oferecida semestralmente, duas vezes por semana em aulas de duas horas. Não é um curso técnico. São aulas sobre moda, que podem despertar ou não o interesse do aluno pelo tema. De lá já saíram alguns casos de êxito, como o de Jailson Freitas, monitor da Oficina de Moda e um dos estilistas da marca Coletivo que desfilou na última edição da Casa dos Criadores.

Os alunos do Projeto Arrastão já conseguiram visibilidade. Sarah Kalili, organizadora do Teen Fashion, evento de moda voltado para marcas adolescentes, convidou a ONG para participar dos desfiles. Os alunos desenvolveram peças em jeans e em malha na edição de inverno 2006. Participaram também do evento de moda infantil que aconteceu no Shopping Jardim Sul.

Além da participação nos desfiles, a ONG promove desfiles de moda na região, além de atender pedidos das grifes Raya de Goye e Karlla Girotto, que buscavam um trabalho customizado.

A estilista Karlla Girotto já desenvolveu trabalhos de moda na periferia para um projeto da prefeitura, e participa do Projeto Arrastão dando palestras para os alunos da Oficina de Moda. Também reverte à ONG parte da renda de bazares que promove.

A Oficina de Moda, bem como os projetos do Arrastão, dependem de ajuda para serem mantidos. Os tecidos chegam por meio de doações, assim como as máquinas de costura. Hoje, a ONG beneficia mais de 1,1 mil pessoas – entre crianças, adolescentes e adultos – dos bairros do Campo Limpo, Jardim Maria Sampaio, Jardim Helga, Jardim Ângela, Valo Velho, Capão Redondo e adjacências.

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Crédito das fotos: Projeto Arrastão/ Divulgação
Legenda:(de cima para baixo)
O professor Nino Cais entre suas alunas
Modelo apresentado no Teen Fashion
Calça jeans confeccionada pela Oficina

Notícia originalmente publicada no site GBL Jeans



Vestuário adaptado
Julho 9, 2006, 11:51 pm
Arquivado em: Colaborações, Tendências

Professora desenvolve roupas para portadores de necessidades especiais
Entre os planos dela está o de criar etiquetas em braile com informações de cor e tecido, para facilitar a vida dos deficientes visuais.

Foi o contato próximo com um garoto que teve as duas pernas amputadas e acompanhar as dificuldades dele para comprar roupas adequadas que fizeram a professora de modelagem Oneide de Almeida Carvalho usar seus conhecimentos para desenvolver roupas que pudessem melhorar a vida dos portadores de necessidades especiais tanto em praticidade quanto em estética.

A idéia surgiu do guarda-roupa do seu conhecido. “O menino tinha que comprar calça dois números maior para a prótese passar e ficava larga no quadril. Resolvi fazer uma calça com adaptações na barra e ele mesmo pediu para fazer em tecido camuflado”, conta Oneide.

A professora quis levar a experiência adiante e convidou seus alunos de modelagem da Universidade de Franca (UNIFRAN) para participar de um projeto de iniciação científica. Formou-se um grupo interdisciplinar com oito estudantes – seis de moda, um de fisioterapia e um de computação. O resultado do projeto foi apresentado num desfile de moda, realizado no final de 2005, cujos modelos foram pessoas atendidas pela Associação Batataense de Deficientes Físicos (ABDF), que fica na cidade de Batataes a 40 minutos de Franca.

Por tratar de um tema que tende a gerar piedade nas pessoas, um dos primeiros desafios de Neda foi fazer com que os jovens pesquisadores entendessem os portadores de necessidades especiais como potenciais consumidores dos produtos que desenvolveriam. Outro grande desafio foi desenvolver peças que seguissem as tendências da moda e fossem ao mesmo tempo práticas de vestir. É o que Oneide chama de um design social universal, ou seja, se adequa a todas as pessoas, independentemente do grau de dificuldades na movimentação do corpo. Por outro lado, também foi difícil convencer os portadores de necessidades especiais a desfilar, porque como a maioria encontra problemas na hora de comprar roupas, eles temiam que as roupas evidenciassem as deficiências.

Com ajuda da estudante de fisioterapia, as dificuldades de cada um foram identificadas. “Uma moça contou que não saía de casa porque nenhuma roupa ficava boa. O sonho dela era usar uma blusa que ficasse retinha no quadril. Em função de paralisia cerebral, ela tinha a perna e o braço esquerdos um pouco dobrados e, por isso, todas os tops ficavam assimétricos. Desenvolvemos uma blusa assimétrica em viscolycra. Na hora do desfile, ela estava radiante”, conta a orientadora.

O grupo criou um site que será a vitrine das roupas confeccionadas e onde o deficiente físico vai poder relatar qual a sua necessidade. A equipe coordenada por Oneide confeccionou 12 modelos para a apresentação e ainda há mais 30 moldes prontos, à espera de patrocinadores.

Alguns alunos do grupo expressaram a vontade de continuar nesse caminho. “Uma aluna está desenvolvendo calçados para esse público”, acrescenta a professora. Os portadores de necessidades especiais representam 24,5 milhões de pessoas no Brasil, mais de 10% da população. De acordo com o Censo de 2000, desse total, 9 milhões estão em idade de trabalhar e 1 milhão exercem algum tipo de atividade remunerada. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o total de pessoas com deficiência no mundo é de 610 milhões, das quais 386 milhões fazem parte da população economicamente ativa.

Hoje, Neda, como a professora é conhecida, dá continuidade ao projeto na tese de mestrado que irá defender no SENAC de São Paulo, pela qual dar um viés mais teórico. “Ainda quero desenvolver etiquetas em braile com informações de cor e tecido, para os deficientes visuais saberem o que estão comprando. Mas até lá é um longo caminho, estou só começando”.

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Essa matéria escrevi para o www.gbljeans.com.br, site voltado para indústria têxtil e do qual sou colaboradora. Veja as fotos