moda pra ler


trocadilho
Fevereiro 28, 2007, 10:32 pm
Arquivado em: Sem-categoria

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Foto tirada pelo Marcel Martin nas ruas de Buenos Aires



Águas passadas
Fevereiro 27, 2007, 11:02 pm
Arquivado em: Colaborações, Entrevistas

Já faz um tempinho, a editora Cosac Naify publicou no seu site uma parte da entrevista que fiz com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha para a edição número 38 da revista Simples.
Reproduzo a baixo para os leitores.

O assunto é arquitetura, mas o Tufi Duek fez uma coleção inspirada em Oscar Niemeyer para o inverno 2007. O que não são os estilistas se não arquitetos da roupa?

O DESAFIO DA ARQUITETURA
Entrevista para Laura Artigas Forti

Para receber o prêmio Pritzker você viajou para Istambul. Como é Istambul na visão de um arquiteto brasileiro?
Istambul é uma cidade que tem a vivacidade e a urgência que São Paulo também mostra com muita clareza. Uma cidade onde a animação existe. Não precisa jogar bolinha na praia para dizer que a população é alegre. Canta-se na rua. Em Istambul, canta-se aquelas orações nas mesquitas, minaretes… É muito impressionante. Uma certa exibição nítida de disciplina urbana. É uma população altamente civilizada lá e também aqui. É nesse sentido que você sente uma contemporaneidade dos dois: Istambul e São Paulo. Acho que, por mais que seja uma visão imaginosa, ela está sustentada com estímulos de veracidade. Nós não temos testemunho de coisas semelhantes diretamente pela forma. Mas no fundo somos todos a mesma civilização. Prefiro passar por cima de bandeiras, limites de país. Tudo isso é muito artificial. A natureza não sabe se está na Argentina ou no Brasil. Essas contradições são interessantes para os arquitetos considerarem, pelo menos para aquele arquiteto que presume que possa desenhar e arrumar o espaço da cidade. Na arquitetura não há limite. Arquitetura é lingüística, antropologia, ciência e filosofia. Aí, quando você viaja vê coisas estranhas, como São Paulo e Istambul. Como a questão dos minaretes [ torre de onde se anuncia a hora da oração para os muçulmanos ]. A civilização cristã adotou o toque dos sinos, que é um código que poderia servir para chamar gado. Os arautos nos minaretes fazem um discurso que, mesmo sem entender, você sente que é encantado. Parece um rap. No fundo tudo isso é poesia.

Como sentir essa vivacidade em São Paulo?
O que é mais comovente em qualquer cidade do mundo é justamente o contraponto entre necessidade e desejo, um pouco como Marx dizia. As pessoas se comportam bem porque é tudo contraditório. É tão difícil o que as pessoas fazem todo dia: vestir as roupas de várias épocas, trabalhar nos escritórios mesmo que tenha que esperar quatro horas para chegar ao trabalho. A cidade é um desejo do homem. Isso é evidente. Há ainda outra contradição comovente: o que parece que poderia ser fácil de fazer não é, porque não tem escola, não tem transporte público adequado.

Você, quando fala de arquitetura, fala da cidade. Por quê?
Cada vez é mais difícil para quem não é filósofo fazer um discurso contundente sobre essas coisas, sem que fique com cara de lugar-comum, com cara de coisa já dita. Não se pode abrir mão da idéia de liberdade para quem tem dimensão da condição do intelectual. Tem-se de assumir essa responsabilidade principalmente num país de analfabetos. A primeira providência é ter que ensinar o outro. É necessário afastar a compartimentação das áreas do conhecimento que é feita para um projeto de exploração. “Você tem diploma disso e você não pode ir adiante porque o outro entende daquilo.” Não importa se os teóricos estão ou não de acordo. Pra mim, uma visão paladiana de arquitetura não faz muito sentido: o edifício e as suas regras. Esse raciocínio é outro, é sobre a condição humana na natureza. Você põe a geografia na questão, além da arquitetura. O território é transformado para o homem habitar um pântano, um mangue dragado, drenado. A cidade de Santos, sem Saturnino de Brito, seria impossível. Com seu plano de saneamento foi tudo drenado e se hoje está tudo podre é porque nunca mais pensaram naquilo. Temos experiências brasileiras de transformação da natureza num lugar habitável, porque ela por si só não é. É muito interessante pensar nisso, não é novidade. Mas pouco a pouco essa visão íntegra se deixa desmantelar, degenerar. Eu defendo essa visão no âmbito da universidade. Essa proliferação de escolinhas isoladas é uma fratura em relação à formação. O que nós chamamos de degenerescência, presume que deve ter tido algo muito bom antes, senão não teremos matéria para degenerar. E é o que estamos vivendo, uma grande possibilidade de excelência de tecnologia, e a grande possibilidade de uma terrível degenerescência para tudo, ao mesmo tempo em que não há formação. E a ausência dessa formação inteira é que faz com que as coisas se degenerem, porque a pessoa fica sem recurso para o que chamamos de reconsideração. O arquiteto pode ganhar um prêmio se fizer um forno crematório.

Sua formação passou por essas questões?
Eu me formei no Mackenzie e tive como professor Cristiano Stocker das Neves, que era um homem de uma integridade incrível. Depois fui assistente do Vilanova Artigas. Meu pai foi diretor da Escola Politécnica. Foi no nosso meio que surgiram essas idéias. Por isso defendo o ensino da arquitetura de uma maneira abrangente, como forma peculiar de conhecimento. É muito estimulante para a universidade não se isolar da universidade. Arquitetura não pode ser exercida fora das outras áreas de conhecimento.

Essa maneira de ver o território transformado nos leva de volta à questão dos territórios da América Latina e da dificuldade de nos reconhecermos como parte do continente. Como a arquitetura contribui com isso?
Não vejo nenhum privilégio para os arquitetos. Ao contrário, é um desafio. É um território onde a civilização chamada européia aportou num momento histórico importante. Não foi a primeira vez. O museu de antropologia mostrou que outros já tinham estado há muito tempo. Mas houve uma interrupção nesse processo e chegou o contingente dos navegantes já noticiando Galileu Galilei e a nova consciência sobre o universo. Esse é um momento extraordinário para o território da América. Portanto, esse raciocínio é recente, como é recente essa visão da arquitetura como forma peculiar de conhecimento. É um modo de o homem se apropriar de tudo o que sabe para constituir o seu lugar, seu habitat posto aqui na América há 300, 400 anos. É muito impressionante. Uma coisa que me impressionou muito: em 2005, comemoraram-se 300 anos da fundação de Leningrado [ São Petersburgo ]. Uma cidade, portanto, mais jovem que a nossa. É perfeita porque já construída com os conceitos de navegação, com pontes, museus. É uma belíssima cidade. E as nossas cidades têm traços coloniais. Isso é uma questão política. A réplica de tudo isso seria muito americana, mais do que colombiana, argentina, ou brasileira. Essa natureza (latino-americana), antes de mais nada, cria a necessidade, imprescindível, de muitas passagens entre o Atlântico e o Pacífico. Ainda para instigar a nós todos, fica essa caricatura do tratado de Tordesilhas, como se alguém com um marchete dividisse entre dois famintos um presunto. É uma demonstração da estupidez. Portanto, a resposta é um discurso americano. Não que eu possa imaginar uma arquitetura daqui ou dali. É uma questão do homem.

O prêmio Pritzker trouxe à tona a existência de uma “escola paulista” de arquitetura, da qual você faria parte. O que acha disso?
Temos que ter uma certa tolerância com os críticos, eles são obrigados a encaixar você em alguma coisa. É difícil alguém que seja só crítico. Ele é em geral historiógrafo, antropólogo, filósofo. Hoje em dia, essa visão de arquitetura de amplo horizonte sobre a questão é configurada com clareza com todas as formas de conhecimento, ninguém pode ser estritamente antropólogo, ou historiador. Torna-se lingüista e filósofo, necessariamente, pela intriga da questão. Essa compartimentação da especialidade é que é a falha. Sempre foi assim, mas hoje é muito perigoso. A especialidade é o grande instrumento do desastre.

A “escola paulista” não seria viver intensamente a realidade dessa imensa e difícil cidade? Como você vive e aproveita São Paulo?
Tenho um pouco de pudor quanto a isso, eu aproveito tanto que acho até injusto. É uma cidade em que você deveria chorar de manhã até a noite. Aqui mesmo onde nós estamos conversando, você passa por cima de criança dormindo na rua. O problema é você não se tornar conformista e saber que tudo isso é a condição que tem para progredir, ir adiante e não para aceitar. O estímulo à indignação não é mau, mesmo que eu não defenda o quanto pior melhor. Não adianta ser o santinho do quarteirão, o assistente social. Aliás, as pessoas que se dedicam a isso são as mais frágeis.

Mesmo assim você mora e trabalha no centro da cidade em vez de procurar um lugar mais tranqüilo. Por quê?
Fui educado que centro é o lugar privilegiado da cidade, onde você encontra tudo. Eu não entendo colegas que vão para bairros e esquecem que quem trabalha com eles às vezes não tem automóvel. As empresas que mudaram para bairros nobres deslocaram seu trabalhador. Faz parte da ideologia dessa classe dominante maligna. Quando o metrô chegou na praça da República, a tradicional Escola Caetano de Campos foi desmantelada para abrigar a Secretaria da Educação, que pode estar em qualquer lugar. A política pode ser um instrumento de dominação: se seu funcionário tem tempo para pensar, ele pode supor transformações na estrutura da sociedade; se ele não pode pensar ele trabalha pra comer. Uma visão ideológica defende o tempo livre. A cidade presume estabelecer o tempo livre, a sobra de tempo para você pensar.

O seu prêmio reativou uma discussão sobre arquitetura, tema que deixou de freqüentar os cadernos de cultura e de cidades dos jornais desde os anos 70, quando a ditadura se acirrou e Brasília já não era novidade. A que se deve essa desvalorização?
A arquitetura em forma de crítica pode ser de fato tão forte que ela foi abandonada Esse abandono é uma estratégia para limpar a área, para produzir o desastre. É por isso que a imprensa não fala sobre arquitetura. Prefere falar de ensino, de engenharia de transporte, prefere isolar os fatos por temor da consistência do crítico, que pode ver a necessidade de conforto da população no âmbito da arquitetura. Vilanova Artigas dizia: “As cidades como as casas, as casas como as cidades”. Hoje, quem sabe construir um barraco em favela é um grande urbanista. Até poderia ser de fato, se fosse estimulado a raciocinar com clareza para saber onde está o grande engano que produz a própria favela. A visão do sucesso da complexa espacialidade da cidade é uma visão de caráter arquitetônico, da arrumação das coisas: rede escolar, transporte… não adianta uma engenharia de tráfego como fato isolado. Primeiro era preciso se perguntar: “Será que essa avenida deveria estar aqui?”. E assim por diante, o Tietê, a geografia, topologia, desastres que podem ser anunciados antes. Quem projeta deve prever o sucesso. Se você está prevendo só o lucro, provavelmente vai produzir desastres. E o edifício como fato isolado, se ele em si pode ser assumido como perfeito, pode também ser um instrumento de desastre. Se você colocasse o Empire State Building na praça Navona (Roma), provavelmente seria um desastre. É isso que acontece conosco, nesses terreninhos de onde se tira uma casa antiga e se coloca um prédio. Você vê a avenida Paulista, é uma maravilha, mas se você quiser ver como desastre é fácil: cada palacete foi transformado em edifício, em fato isolado. A avenida em si não foi projetada nunca. O Conjunto Nacional é o único espaço contemporâneo de toda a avenida Paulista, porque a quadra inteira estava disponível. É o mínimo que você pode imaginar.

Você contrata escritórios de arquitetos jovens para desenvolver os projetos em conjunto. Também foi professor da Fau. Como é formar arquitetos?
Às vezes, a sensação que eu tenho é que eles estão cheios de mim. ( risos ) Ninguém aprende nada sem que haja a interlocução. Você não fala sozinho. Não me sinto formador de uma geração. É muito difícil. Você não agüenta você mesmo, imagina agüentar uma geração! Tomara que eles esqueçam rápido. As coisas andam muito depressa. Eu quero que fiquem idéias, conceitos, uma semente de uma certa genealogia da imaginação humana. Não se faz o novo pelo novo, se faz uma outra história. Portanto, aquilo que você pensa que desapareceu estimula muito mais, sobre muitas maneiras.



Um pouco de 22
Fevereiro 24, 2007, 7:16 pm
Arquivado em: Análise, História da Moda

Modernistas durante a semana de 22

Há 85 anos o jeans não era o sinônimo de liberdade e a guitarra elétrica não era o hino da rebeldia. Ainda se usava chapéu e as moças tinham acabado de se livrar do espartilho. A contracultura da época era expressa por prosa, verso e pinceladas.

Em fevereiro de 1922, mesmo com as formalidades de vestuário, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald Andrade, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Villa Lobos, entre outros, representavam a vanguarda da cultura brasileira. Entre os dias 13 e 17 de fevereiro esses artistas discutiram os rumos da arte brasileira e mostraram suas obras no Teatro Municipal de São Paulo.

Cartaz

Antes de falar de moda, vale relembrar o que foi esse acontecimento.

Lembra quando a São Paulo Fashion Week começou e muito se questionava o que é o DNA Brasil na criação de moda?
No caso da Semana de Arte Moderna o debate foi mais ou menos esse, só que relacionado a todas artes num evento organizado só para essa discussão.

Enquanto na Europa fervilhavam os movimentos: futurista, dadaísta, expressionista, surrealista e cubista, esses artistas brasileiros também tentavam romper com a estética tradicional e acadêmica enraizada em conceitos que vinham, sobretudo, da Grécia e da Roma Antigas.

O que mudou?
Rompeu-se com a estética acadêmica e a arte pôde ser mais livre e brasileira. A Tarsila e o Di Cavalcanti, por exemplo, olhavam as cores vivas da natureza e a realidade social brasileira e reproduziam-nas em seus quadros. Os poemas de Mario de Andrade não seguiam as normas e métricas antes exigidas.

Oswald de Andrade por Tarsila do Amaral; “A Estudante” de Anita Malfatti e Mario de Andrade por Lasar Segall

O que não mudou?
Os modernistas brasileiros poderiam ser designados como “hype”, “underground” ou “cool”
Depois de defender tanto a cultura brasileira certamente eles não gostariam de receber denominações em inglês. Na época era o francês que dominava. Eram então: “avant garde”.

Os galicismos foram trocados pelos anglicanismos. Nesse ponto a Semana de Arte Moderna ainda não teve o êxito pretendido. Os traços da colonização e a ode a arte clássica ainda não foram extintos.

É comum as pessoas dizerem “até eu pintaria isso” ao se referirem a um pintura moderna. Nos edifícios novos ditos de “alto padrão” há colunas greco-romanas – numa tentativa de retomar o que era chic na França do final do século XIX.

A Conta
Antes de existir Lei Rouanet e outras de incentivo fiscal para o estímulo à cultura, os artistas tinham que contar com a boa vontade de pessoas endinheiradas e, claro, ilustradas, para conseguir realizar suas obras. No caso dos artistas de 22 não foi diferente. Anita Malfati e Mario de Andrade, por exemplo, tinham o apoio de, Olívia Guedes Penteado, Paulo Prado e de outros que dão nome a algumas ruas de São Paulo.

Mamãe me dá essa lua”
Ser esquecido e ignorado
como esses nomes de rua

(Mário de Andrade – Lira Paulistana)

A Moda

Retrato de Tarsila do Amaral

Se em 1950 Gilda de Mello e Souza publicou um mestrado sobre o tema e foi um fuá porque todo mundo achou que ela era uma dondoca fútil, vinte e cinco anos antes a situação era pior. Na Bauhaus, nos mesmos anos 20, o laboratório de tecido não deu certo porque as mulheres estavam começando a requerer seus direitos e não queriam se associar a atividades tradicionalmente femininas como a tecelagem.

Na semana de arte de 22 não teve nenhum estilista participando, mas certamente as roupas dos participantes eram ousadas e estilosas. Heitor Villa-Lobos apareceu no palco do Teatro Municipal apoiado em um guarda-chuva e usando chinelos

A lista de mais bem vestida, no entanto certamente foi encabeçada por Tarsila do Amaral. Ainda que não estivesse presente nos eventos da semana, a amizade da musa do modernismo com o estilista francês Paul Poiret, bem como seus auto-retratos apontam para esse caminho.

Um “patouzinho” básico e os grandes brincos em destaque

Em um de seus auto-retratos mais famosos o “Mantô Rouge”ela veste um vestido de Jean Patou. A mini-serie da rede Globo “Um só coração” retratou bem o estilo da pintora paulistana.

A atriz Eliane Jardine interpretou a pintora no folhetim global

Ela conseguia unir o extravagante e o discreto. Adorava roupas coloridas. O cabelo puxado para trás era para destacar os acessórios. Seu visual também era a sua arte.

***
Para concluir esse post sobre a Semana de Arte Moderna de 22 um poema de Mario de Andrade em que ele zomba do estilo francês.
“Inspiração” faz parte do livro “Paulicéia Desvairada”, lançado logo após a Semana de Arte Moderna

INSPIRAÇÃO
Mário de Andrade

São Paulo! Comoção de minha vida…
Os meus amores são flores feitas de
original…
Arlequinal!…Traje de losangos… Cinza
e ouro…
Luz e bruma…Forno e inverno morno…
Elegâncias sutis sem escândalos, sem
ciúmes…
Perfumes de Paris…Anys!
Bofetadas líricas no
Trianon…Algodoal!…

São Paulo! Comoção de minha vida…
Galicismo a berrar nos desertos da
América!



Moda pra Ler entrevista: Daniel Lion
Fevereiro 21, 2007, 1:44 am
Arquivado em: Entrevistas

Nascido em Barros de Cassal, interior do Rio Grande do Sul, o estilista Daniel Lion começa cruzar as fronteiras do sul.

A industria de moda do Rio Grande do Sul está entre as primeiras do Brasil, porém, pouco se conhece dos criadores de lá. Os mais famosos são Mareu Nitschke que participava da São Paulo Fashion Week e Elisa Chanan que desfila no Fashion Rio.

Daniel tem 40 anos é autodidata. Começou a trabalhar como estilista há apenas 6 anos, mas acumula vasta experiência como figurinista de teatro. Sua formação profissional é como ator.

Ele mora e trabalha em Porto Alegre. Em outubro de 2006 inaugurou o Avesso – Núcleo de Moda, onde divide o espaço com as designers conterrâneas Anne Anicet, Karen Raissa e Vivi Gil. O lugar é um misto de loja, atelier e laboratório de criação.

Durante o carnaval que resumiu como “nada de samba no pé, só corte e costura, com muito alfinete espetado no dedo”, o estilista respondeu as perguntas do Moda pra Ler.

Você é figurinista e diretor de arte. Conta como começou a atuar nessas áreas?
Também sou ator profissional há mais de 20 anos. No inicio desenhava os figurinos das peças em que eu atuava.O meu trabalho como figurinista começou a ser reconhecido pela crítica, aí vieram os convites para outros trabalhos, além daqueles em que eu também era ator. A partir daí, não parei mais e comecei a assinar a direção de arte de importantes projetos e eventos aqui no sul.

E a carreira de estilista?
A minha carreira como estilista foi, de certa forma, um desdobramento natural da de figurinista, embora sejam distintas, tem também muitas coisas em comum. O uso de tecidos, texturas, formas, cores.O mais complicado foi aprender a transformar a roupa em um produto. Talvez esteja aí a principal diferença, já que o processo de criação é bastante semelhante.

Em 2003 você participou do Donna Fashion Iguatemi (semana de moda do Rio Grande do Sul) como estilista “Next Generation” e também ganhou o projeto de novos talentos da CeA.
Qual foi a importância desses dois eventos na sua carreira?

Participei das duas primeiras edições do Donna Fashion Iguatemi-2001 e 2002- dentro do projeto Next Generation, o mais importante evento de moda do sul. Em 2002, também fui escolhido como estilista revelação no projeto nacional Novos Talentos C&A.Ter sido convidado para o line-up do Donna Fashion foi fundamental para alavancar a minha carreira como estilista. A partir do evento o meu trabalho ficou conhecido no RS e fui conquistando aos poucos a minha clientela e o respeito e destaque na imprensa especializada,que desde o início sempre divulgou o meu trabalho na mídia local,apostando no meu talento.

Você ganhou outros prêmios e concursos depois?
Atualmente sou um dos profissionais mais requisitados e premiados do teatro gaúcho,com mais de 15 prêmios de melhor figurino e cenário.Na área de moda não participei de nenhum concurso, mas já fui convidado para criar looks para eventos semelhantes ao do Rexona.O primeiro look que criei e produzi foi para o Impulse Style,em 2001,que acabou me rendendo o convite pro Donna Fashion Iguatemi.

Você cria apenas roupas para mulheres?
Faço mais moda feminina, mas aos poucos estou trabalhando com o masculino. Faço principalmente camisas,com uma modelagem slim e detalhes nas costas,aplicações,recortes,grafites que personalizam as peças tornando-as únicas. Mas pretendo investir mais nesse mercado.

No que se inspira para desenvolver suas coleções?
Tudo que vivencio me serve como inspiração. Os filmes que assisto, os espetáculos, as viagens, os livros, as músicas, as pessoas. Tudo é absorvido, assimilado e de alguma forma se reflete na minha criação de moda.Também me interessa muito a história do vestuário: os costumes de época; as décadas passadas. Quando se trabalha com criação tudo é material para uma espécie de repertório visual e de referencias que se armazenam, se fundem , se transformam e estão sempre lá germinando, prontas para saltar para a roupa!

Suas criações têm um conceito que gosta de seguir?
Acho que todo o designer acaba sempre tendo um estilo próprio. Um conceito que une todo o seu trabalho.O que não quero é ser escravo do meu próprio estilo ,ou marca. Quero ter a liberdade de poder mudar os caminhos e conceitos que eu mesmo criei. Talvez, até negar tudo que desenvolvi na coleção anterior, para começar do zero na próxima.Os desafios me encantam e me dão aquele friozinho na barriga!

Quais tecidos você costuma e gosta de trabalhar?
O tecido é fundamental na minha moda, é o ponto de partida. Normalmente, primeiro escolho os tecidos e depois começo a desenvolver a coleção. Adoro garimpar tecidos vintage,estampas raras com metragem limitada.Os tecidos em fibras naturais são uma delicia de tocar,sentir,usar, mas trabalho com os sintéticos e mistos sem problemas. É fundamental entender o tecido, sentir seu caimento, textura, gramatura para perceber se ele quer virar uma blusa,um vestido ou outra peça.

Atualmente você apresenta suas coleções em alguma semana de moda?
Não, mas acho esses projetos para novos estilistas fundamentais e de grande importância como o Casa de Criadores e o Hot Spot, por exemplo.Que venham outros!!! Adoraria participar!

Onde você vende suas criações hoje?
Participo do AVESSO NÚCLEO DE MODA. Fica num charmoso sobrado na rua Visconde do Rio Branco,729.
Tá bombando aqui em Porto Alegre. Estou concentrando todas as minhas vendas nesse espaço, que oferece ao consumidor uma moda autoral,cheia de estilo e design,com peças únicas e limitadas. Algumas lojas de SP já estão me sondando para uma parceria, mas ainda não tem nada acertado.

Quais são as vantagens e desvantagens de trabalhar no RS?
Acho que a principal vantagem é poder estar na minha terra junto dos meus amigos, das minhas raízes, sem depender do tal eixo Rio-São Paulo, tão cultuado e desejado por tantos.Quanto as desvantagens, talvez a maior seja o fato de ser difícil ultrapassar as fronteiras para ter o trabalho reconhecido nacionalmente.Tudo que acontece aqui, por melhor que seja, acaba repercutindo só por aqui mesmo.E a moda precisa de visibilidade, da imprensa,das revistas para despertar desejo.

Vi num site a seguinte declaração sua: “Moda não é arte; é indústria acima de tudo, é business, é negócio.” Por que moda não é arte?
Moda não é arte por que basicamente são coisas distintas. A arte é superior á moda em todos os sentidos. É eterna, sublime, necessária, includente, relevante. A moda não. Ela é passageira, efêmera, excludente é indústria, é comércio. Eu posso viver sem moda, mas não posso viver sem arte!!!!!! A moda bebe na fonte da arte, retira dela inspiração,força e até sentido.Vemos grandes coleções de alta costura com roupas que são quase esculturas,com desfiles teatrais e dramáticos. Todas essas referencias vem da arte.

O que é moda pra você?
Pra mim moda é comportamento, é desejo, é produto, um fenômeno social. É uma forma de as pessoas serem aceitas no seu meio.

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“Estava num camarim de teatro fazendo provas de figurinos, uma correria e de repente tocou o celular e era da produção do evento me convidando para participar. Foi muito bacana ter criado o look para o desfile virtual,isso me deu uma visibilidade importante para divulgação do meu trabalho”, comemora o estilista.

O look de Daniel Lion para o desfile virtual do Rexona Crystal foi inspirado na palavra Reinvenção. Ele recriou a camisa branca, como detalha no vídeo.

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Crédito das Imagens: Daniel Lion/ Divulgação



baianidade carioca
Fevereiro 20, 2007, 7:02 pm
Arquivado em: Tendências

As areias do Rio de Janeiro têm tendências próprias. Entre biquínis usados cada peça de um modelo, óculos com aros grandes e queijo coalho – nada mais em alta do que a canga com estampa de fitas do Senhor do Bonfim.

O acessório pode ser encontrado em três cores – em tons de verde, em tons de rosa e colorida. O preço é R$15,00, mas pechinchando sai por 13.

Moça relaxa em cima da sua canga de fitinhas dos senhor do Bonfim
Ponto-de-venda nas areias de Ipanema

O vendedor Marco Antonio* deixa as cangas esticadas perto do Posto 10 em Ipanema e contou que 200 mil cangas com estampas de fitinhas do Senhor do Bonfim foram despejadas aos atacadistas de artigos praianos na cidade desde o começo de fevereiro. “Deve ter sobrado umas 20 mil”, calcula o vendedor que deu o nome fictício por medo da fiscalização da prefeitura.

Já o comerciante Valdir conta que vende cerca de 50 cangas com a estampa das fitinhas por dia. “É colorida e bem brasileira”, revela o segredo do sucesso do produto. “Os gringos adoram”, completa o andarilho que trabalha há 16 anos nas areias de Ipanema.

O vendedor Valdir comemora o sucesso nas vendas

Glauco do Descolex flagrou o momento que uma banhista comprou a canga-mania do Rio.

Apesar do sucesso dessa estampa, há modelos que perduram verão após verão. As cangas com desenhos das calçadas de Ipanema, Copacabana e com a bandeira do Brasil são clássicos das areias cariocas.

Entre os modelos do verão 2007 vale citar as de bolinhas. O tecido ajuda a compor um visual “balneário francês” se acompanhado de um biquíni sessentinha e um óculo estilo Jack O.

A estampa clássica da calçada de Ipanema, a tendência do verão e as charmosas bolinhas

Canga em forma de bandeira do Brasil, outro clássico. Bolinhas ao fundo.

Calçada de Copacaba - outra estampa clássica

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colaborou: Glauco Sabino - Descolex
Fotos: Laura - Moda pra Ler, exceto a imagem da mulher comprando a canga feita por Glauco Sabino.



Moda pra Ler entrevista: Depeyre
Fevereiro 16, 2007, 5:32 am
Arquivado em: Entrevistas

Julien trabalhava para o Reinaldo Lourenço e Melissa para Gloria Coelho. Diferente dos ex-patrões o casal franco-brasileiro resolveu ter uma marca única, com a assinatura dos dois.

A jovem Depeyre existe há três anos, faz roupas para homens e mulheres e tem como grande inspiração o universo rocker, principalmente punk. Entre os novos estilistas são um dos poucos que têm loja própria, a multimarcas Oui.

Num final do expediente, Julien, que mantém o sotaque francês, conversou com o Moda pra Ler.

Como a marca começou?
Julien – Eu trabalhava com o Reinaldo Lourenço e a Melissa com a Glória Coelho. Nos conhecemos e casamos. Sempre tivemos vontade de ter a nossa própria marca. Vendíamos camisetas na Ellus 2nd Floor e fomos convidados para participar do Amni Hot Spot. Com o patrocínio da Rhodia pudemos estruturar a Depeyre.

Vocês tem a multimarcas Oui. Por que optaram por abrir uma loja multimarcas e não só da Depeyre?
Temos muitos amigos estilistas e queríamos ajuda-los também. Hoje a Oui vende cerca de 8 marcas.

Inverno 2005

Dá trabalho manter a loja e marca?
Dá para levar. Como é uma marca nova fazemos poucas peças. São 1000 por ano, 500 a cada coleção.

Essas 500 peças chegam a quantos pontos de venda?
Além da Oui, tem mais dois em São Paulo, um no Rio, um em Juiz de Fora e outro em Tóquio. Vendemos também num bazar que promovemos a cada três meses mais ou menos o “Tutti Frutti”.

Verão 2006

Que tecidos vocês gostam de trabalhar?
Gabardine, algodão e principalmente jeans. Nossa calça skinny é muito famosa. O que mais vendemos é jeans.

Jeanswear sempre foi o foco de vocês?
Na verdade eu não gostava de trabalhar com jeans, mas depois que trabalhei na Ellus vi as diversas possibilidades desse tecido. De 500 peças que fazemos em cada coleção 250 são calças jeans.

Inverno 2006

Vocês, pessoalmente, gostam de usar jeans?
Todos os dias. Só usamos nossas peças. Quando você é estilista dá não dá vontade de gastar dinheiro em roupa.

Verão 2006/2007

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Tutti Frutti, Tutti Frutti…

A próxima edição do Bazar Tutti Frutti acontece entre os dias 1 e 13 de março no novo endereço da Oui na Rua Cristiano Viana, 119.

O Bazar acontece a cada três meses, há um ano e meio. Foi uma idéia da estilista Raquel Uendi que a dupla levou a diante. Ainda no primeiro semestre o bazar torna-se itinerante e vai a Florianópolis. “Muita pessoas de outras cidades querem comprar nossa marca e não encontram no lugar onde moram. Gostariámos levar o bazar também à Minas Gerais em breve”, revela Julien

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O casal Depeyre também participa do projeto Rexona Crystal . “Recebemos un telefonema do Reinaldo Lourenço e ficamos super contentes”. Para o desfile virtual eles criaram um look a partir da palavra “exclusividade” e saíram da sua rotina de estilo criando uma roupa de festa sem perder a veia streetwear. No vídeo que está no site eles explicam o resultado.

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Crédito das imagens:
Inverno 2005, Verão 2006 e Inverno 2006 - CHIC
Casal e Verão 2007 - Depeyre/ Divulgação



Moda pra Ler entrevista: Wilson Ranieri
Fevereiro 12, 2007, 11:20 am
Arquivado em: Entrevistas, SPFW

Quando digitar “moulage” na busca dentre as páginas em português no Google as críticas do desfile do estilista Wilson Ranieri estarão entre os primeiros itens a aparecer.

O estilista paulistano de 28 anos estreou com elogios na São Paulo Fashion Week. Muito longe de ter sorte de principiante, o criador, formado pela renomada Faculdade Santa Marcelina, acumula a experiência de todas as edições do Amni Hot Spot e vende suas roupas em oito lojas brasileiras e três no exterior.

Há uma década trabalhando entre croquis, tecidos, agulhas e linhas, o criador contou ao Moda pra Ler um pouco sobre sua trajetória e de como o trabalho com moulage foi seu destino.

Moda pra Ler - Como surgiu o interesse por moda?
Wilson Ranieri - Quando era pequeno desenhava roupas. Era coisa de criança, mas gostava daquilo. Quando passou a novela “Tititi” havia um estilista chamado Victor Valentin que eu acahava o máximo. Eu tinha 6 anos. Também gostava de fazer roupas com lençóis. Enrolava os panos na minha prima e na minha irmã para elas brincarem. Quando fui fazer faculdade quase caí nas artes plásticas, mas fui pra moda. Eu achei o curso bem interessante.

Onde você trabalhou antes de começar com a sua marca?
Trabalhei com Elisa Stecca, na Serpuimarie na área de bolsas para exportação. Comecei minha marca no Amni Hot Spot em 2001. Também fiz um trabalho com a Huis Clos. Depois de me dedicar por 2 anos exclusivamente a minha marca aceitei o convite para dirigir a equipe da Acquastudio. Estou lá há um ano. Adoro esse novo desafio.

Inverno 2002 e verão 2003

Seu trabalho é conhecido por usar a técnica moulage. Porque optou por ela?
Quais as diferenças no produto final?

Moulage pra mim é quase o fundamento principal. Quase porque se associa a um bom planejamento de tecidos e acabamentos para que vire uma roupa boa. A construção me faz ir além. Começou pra mim quando era criança sem saber. eu fazia vários modelos. Pena que nunca ninguém fotografou.
Como falei, passava tardes brincando de enrolar lençol na minha prima e na minha irmã. Fazia vestidos de todos os jeitos. Misturava um lençol listrado com outro de bolinha, e outro liso. Construía diversas proporções. Durante a faculdade, descobrindo meu caminho na moda, me interessei pelos Ndebele, uma tribo africana que fazia roupas com couros de animais. Eles os enrolavam no corpo para proteção e se tornaram sua vestimenta tradicional. Eles têm estruturas muito próximas das nossas calças que hoje tem modelagem estabelecida. Achei isso incrível e comprei um busto de moulage. Comecei a fuçar antes de ter aula e já prevendo que esse seria o modo com o qual faria minhas criações, mesmo com as técnicas atuais.
Essa modelagem pronta que conhecemos se formou justamente com a repetição do mesmo raciocínio. Li muito sobre a evolução das técnicas de modelagem durante a faculdade. O assunto me interessa muito, mas o moulage virou meu método de criar.

Na hora de produzir a peça há alguma diferença?

O moulage, ao contrário do que muita gente pensa e faz, é apenas uma técnica de construção. Todo processo vira molde plano de papel com toda a marcação necessária. Ele pode ser reproduzido inúmeras vezes e escalado em tamanhos diferentes, como qualquer outra modelagem plana.

Verão 2006

Com quais tecidos você gosta de trabalhar?
Tecido pra mim é o fundamento número 1. Gosto de trabalhar com quase todos. Malhas, tecidos planos, sintéticos e naturais. O que importa é trabalhar o caimento, a aparência e o acabamento possíveis fazer. Escolher o tecido para o moulage é um exercício que se associa ao meu fundamento número dois: a construção.

Você entrou na São Paulo Fashion Week nessa edição de inverno. Você se enxerga como um novo estilista?
Sou um jovem estilista. Há algum tempo não me preocupo mais com esse titulo. Nem para o bem, nem para o mal. Tenho uma marca há 5 anos que vem se desenvolvendo e buscando mais espaço. Sou um jovem estilista, com uma jovem marca, mas, já desenhei e desenho para marcas com mais tempo. Fico muito feliz de fazer essa colaboração.

Despedida do Amni Hot Spot no verão 2007

Participar do SPFW foi um grande passo ou a experiência do Amni Hot Spot te deixou preparado?
O Hot Spot foi uma escola maravilhosa. Muita coisa foi testada ali. Foi um caminho de profissionalização, desenvolvimento do trabalho, cabeça e marca. Espero com o SPFW conquistar mais guarda-roupas alheios e que mais gente conheça meu trabalho.

Você pretende ter uma loja própria?
Certamente, mas não sei quando. Ainda não estamos planejando isso.

Estréia no SPFW no inverno 2007

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O Moda pra Ler é um dos blogs que integra a ação de lançamento do Rexona Crystal cujas embalagens foram estilizadas por Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço. Cada blogueiro escolheu a melhor forma de falar sobre o conjunto: site + promoção + desfile virtual. Como entrevista é uma das marcas registradas do blog, nada mais oportuno do que conhecer um pouco do trabalho de alguns dos jovens estilistas selecionados. Wilson Ranieri foi o primeiro.

Para o desfile virtual ele criou um modelo inspirado na palavra “Luxo”. No video que está no site ele fala sobre o look que criou. Para o Moda pra Ler ele contou que: “Foi muito legal ser convidado para participar. Adoro o Reinaldo e a Gloria. Adorei a indicação e aceitei sem pestanejar”.

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Crédito das Fotos:
Desfiles 2002 e 2003 - Moda Almanaque
Desfile verão 2006 - CHIC
Desfile verão 2007 - CHIC
SPFW inverno 2007 - Divulgação/ Wilson Ranieri



“Antes de existir Bono, havia a Benetton”
Fevereiro 9, 2007, 11:57 am
Arquivado em: História da Moda, Jornalismo de Moda

Assim começa a resportagem que a Nylon publicou na edição de fevereiro em homenagem aos 40 anos da marca italiana.

Conhecida pela cartela de cores forte e as malhas de lã de ótima qualidade, o maior legado, no entanto, foi a estética que a grife lançou, muito antes de Bono Vox entrar para o hall de pacifistas da história.

A ousadia do publicitário Oliviero Toscani fez com que quando um negro, um ruivo e um loiro ficam lado a lado alguém pensa: “united colors of Benetton”.

A imagem colorida e polemica que a Benetton propôs rendeu a criação da revista Colors, cuja slogan era “uma revista que fala para o resto do mundo”. Com a internet as possibilidades de comunicação se ampliaram.

Sempre privilegiando uma comunicação diferenciada, além da Colors hoje a Benetton mantém o Benetton Talk, blog para discutir assunto de interesse mundial como meio ambiente e religião. Também com imagens belas, impactantes e divertidas. Há também o Benetton Play você pode fazer desenhos e deixar no mural do site.

Tentei fazer uma florzinha no Benetton Play

Outro site ligado a estética da grife é o da Fabrica – que é o produto de Internet da cooperativa de estilistas, designers, fotógrafos idealizada por Toscani e hoje capitaneada por Renzo di Renzo também editor chefe da Colors.

No esquema de trabalho da Fabrica qualquer criação é desenvolvida coletivamente: o estilista faz a roupa, o designer cria a estampa e o publicitário faz a campanha. Tudo em plena sintonia.

Esse processo influenciou empresas no mundo todo. No Brasil O Estúdio, que entre outras coisas tem a vertente de moda assinada pela estilista Anne Gaul, foi inspirado no modelo da Benetton.

A revista da Fabrica, a FAB Magazine, pode ser baixada em pdf.

Aqui algumas fotos da edição 29 da Colors, publicada em 1999, o tema era “brinquedos para um futuro brilhante” e da FAB Magazine.

COLORS

Seria o pato do messenger?

Brinquedo no Camboja

Brinquedo para entender as diferenças


FAB MAGAZINE

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Crédito das imagens: Sites relacionados e scans da Colors#29



Moldes para todos
Fevereiro 8, 2007, 11:50 pm
Arquivado em: História da Moda, Jornalismo de Moda

Antes de existir a roupa “pronta para levar” o trabalho era feito em casa por mães, avós, tias e madrinhas. As mulheres tentavam reproduzir as peças que viam nas revistas de moda.

Percebendo essa hábito coletivo mundial, aliado a situação do pós-guerra em seu país uma alemã chamada Aenne Burda começou a vender moldes para que as pessoas pudessem costurar com maior exatidão seu próprio vestuário. Assim surgiu a revista “Burda Modas” em 1950.

Aenne Burda

Aqui no Brasil a publicação é famosa entre praticantes do tricô e crochê. Para encontrá-la é necessário recorrer a uma banca especializa por não há uma edição brasileira.

Os moldes precisos foram e são a chave do sucesso da revista que hoje é publicada em 19 línguas e distribuída em 89 países. A editora gera em torno de 1,85 bilhão de euros por ano. Os moldes são publicados em 4 tamanhos.

Dois anos antes da queda do muro de Berlim, que marcou o fim de quase todos os regimes socialistas do mundo, a Burda foi lançada na União Soviética. Ávida por notícias do capitalismo a população recebeu a revista de braços abertos. O sucesso continou, e perdura, também nas repúblicas da ex-URSS como Bielorussia, Georgia, Ucrânia e até no Turquemenistão. Outros países ex–socialistas como Bósnia e Eslováquia também têm sua edição nacional.

Não é só de lugares recém-capitalistas que o magazine alemão vive. Também é publicado na Noroega, Suécia, Itália, Estados Unidos, entre outros.

Anne Burda morreu em 2005 aos 96 anos. A empresa hoje é administrada por seu filho Hubert.

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No Brasil a primeira revista de moldes foi a Manequim, criada em 1959.

Em seus primeiros anos era comum a revista trazer modelos para trabalhar. A mulher moderna ainda não encontrava grande variedade de roupas para competir de igual para igual com os homens.

Hoje a publicação tem como grande norte para suas reportagens as roupas que aparecem nas novelas.

A produção de moda da revista é muito difícil porque além da roupa a produtora tem que convencer o estilista e seu assessor de imprensa a dar o molde.

Em 2001 numa aula de jornalismo de moda, a jornalista Maria da Penha Bueno de Moraes, que ministrava o curso e foi editora da publicação, revelou que a Manequim é uma das poucas que consegue se pagar com as vendas e não depende completamente de publicidade.

O “faça você mesmo” resiste ao prêt-à-porter.

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Livros interessante sobre os temas abordados:


Moda & Guerra – Um retrato da França ocupada
Dominique Veillion
Jorge Zahar Editor

O livro conta como os franceses fizeram para continuar como os mais estilosos do mundo em meio a guerra e suas dificuldades.

“A Revista no Brasil”
Editora Abril

História do formato no país separado por temas e rico em imagens.



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Fevereiro 5, 2007, 12:35 pm
Arquivado em: SPFW