moda pra ler


Uma tarde com Marciana
Maio 29, 2006, 3:03 am
Arquivado em: Entrevistas

As vésperas do seu 5º desfile no Rio Moda Hype dentro do Fashion Rio, Marciana passou por São Paulo e montou um bazar divulgado no email-a-email dentro do salão de festas do prédio de uma amiga.

A oportunidade de conversar tête-à-tête com a criadora, cujo trabalho acompanho e admiro, me estimulou a ir até lá e fazer uma matéria para o blog. Aproveitei e comprei um lindo vestido vermelho que coloquei na mesma hora.

De perto, o trabalho delicado e caprichado realmente encanta. As roupas têm um ar inocente. Cai bem em meninas românticas, que prezam pela exclusividade e sofisticação. A estilista passa a imagem de uma pessoa serena e dedicada. Atendia as compradoras com gentileza, sugeria combinações e observava bastante. Foi a primeira vez que fez um bazar na capital paulista. Outra venda foi feita da mesma forma em Juiz de Fora, estimulada pela mesma amiga.

Natural de Volta Redonda, a estilista de 25 anos cresceu vendo a mãe fazer roupas para noivas e madrinhas. A opção pela moda deixou a costureira muito feliz e hoje as duas dividem o ateliê na cidade natal.

Formada pela universidade Veiga de Almeida no Rio conheceu de perto o trabalho de Zuzu Angel. A protagonista da cinebiografia que estréia em agosto é a grande referencia de Marciana. “Estudei muito o trabalho dela, principalmente a parte anterior a morte de seu filho”. A brasilidade pioneira da criadora foi o fio condutor no inicio de carreira da jovem estilista que fez seu trabalho de conclusão de curso baseado na obra de Zuzu.

Após a formatura em 2002, passou a vender suas roupas na Babilônia Feira Hype no Rio de Janeiro. Foi o trampolim para a seleção ao Fashion Rio. “Acho importante acontecer esse tipo de estimulo aos novos talentos, dá asa ao meu sonho”.

A participação num evento grande dá a impressão que a marca também é, contudo a realidade é bem diferente. Trabalhando sozinha, ela coordena uma equipe de quatro costureiras e duas bordadeiras que trabalham de maneira terceirizada, e acaba ficando responsável ainda pelas vendas, divulgação entres outras demandas da grife.

A produção de peças é pequena porque o trabalho é artesanal. Uma saia que estava em sua última coleção inspirada no artista plástico Arthur Bispo do Rosário* demorou cerca de 20 dias para ser bordada. Por enquanto as roupas são vendidas em três pontos de venda no Rio de Janeiro e a expectativa é atrair mais compradores durante o próximo desfile.

Agora, Marciana está “arrancando os cabelos” para apresentar a coleção de verão no próximo dia 10 de junho. No rumo certo, ela é uma forte candidata à expoente da moda nacional num futuro próximo.

Onde Comprar:
Ateliê: Av. 17 de julho, 583/ 102 Aterrado. Volta Redonda RJ
Multimarcas:
Ateliê Real - R. Real Grandeza, 182 casa 4b. Botafogo (21) 2537.4924
Casa das Meninas - Rua Pacheco Leão, 758 Sobrado -Horto Florestal (21) 2512.9517

Crédito das Fotos: Laura e divulgação Rio Moda Hype
Legendas: Marciana e roupas expostas no bazar.
Última: coleção inspirada em Artur Bispo do Rosário
Agradecimentos: Priscila pela mensagem avisando do bazar, Michaela (responsável pela organização do bazar) pelo gentil e-mail de confirmação e Livia pela companhia na tarde de sábado.

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Artur Bispo do Rosário

Vale um textinho sobre o artista que inspirou Marciana na coleção de inverno. Não é a primeira vez que a moda reverencia esse artista tão singular. Sua obra mais ilustre: “O manto de apresentação” (foto acima) esteve na exposição Fashion Passion que aconteceu em 2004 na OCA.

Suas obras são lindas e se tornam angustiantes quando a história do artista é revelada. Os trabalhos eram feitos com lixo, restos de linhas, material variado que caia em suas mãos. Toda sua produção foi feita na Colônia Psiquiátrica Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. O manto de apresentação, por exemplo, Bispo dizia que iria usar no Juízo final. Inteiramente bordado com casas, passarinhos e com os nomes das mulheres que salvaria quando o grande dia chegasse.

Artur Bispo do Rosário nasceu em 1911 em Sergipe, e veio para o Rio de Janeiro se alistar na Marinha. Em 1939 delirou nas ruas por dois dias e foi levado ao hospital psiquiátrico Pedro II e diagnosticado como esquizofrênico-paranóico. De lá foi transferido para a colônia onde viveu por 50 anos até sua morte em 1989. A maior parte do tempo ficava isolado porque tinha o comportamento agressivo com os outros internos.

Sua obra está no Museu Artur Bispo do Rosário que fica no Rio de Janeiro. Seu nome é intitula um prêmio destinado a artistas que sofrem de distúrbios mentais.

Sobre sua arte dizia: “Não faço isto para os homens, mas para Deus”. Não estava errado.

Museu Artur Bispo do Rosário
Estrada Rodrigues Caldas, 3.400 - Taquara
Telefone: (21) 2446-6628

Crédito da foto: Ebay França



No caminho das tendências
Maio 21, 2006, 1:34 am
Arquivado em: História da Moda

O bolerinho que hoje invade as ruas já era anunciado há duas coleções atrás.

Inverno 2005 - Thais Gusmão, Cavalera, Raia de Goye e Zoomp

Verão 2006 - Sommer, Thais Gusmão, Amapô e Triton

Inverno 2006 - Alexandre Herchcovith, Cantão, Sta. Ephigênia, Wlison Ranieri e Redley

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Quem vê os desfiles de moda e conhece pouco do assunto não entende aquelas mulheres com os rostos cobertos que o John Galiano inventa ou aquelas sobreposições estranhas feitas para as privilegiadas que medem 1,80 e pesam 50 quilos. Por mais bizarro que pareça existe uma razão de ser.

A passarela é uma lente de aumento na roupa do dia-a-dia. Se um designer inventa uma blusa repleta de babados ele está querendo dizer que sua linha comercial haverá peças com esse tipo de detalhe.

Assim se vários estilistas colocarem babados em seus shows, o adorno vira uma tendência. A mesma regra vale para tecidos, cores e formas.

Repetição - As tendências funcionam para organizar a cadeia da moda, que começa com a extração ou fabricação da matéria prima dos tecidos. Portanto, se hoje usamos algodão é porque há dois anos houve uma boa safra da planta e muitos estilistas compraram esse tecido. A equipe de criação do estilista recorre a empresas que detectam essa movimentação na industria têxtil, os chamados bureaux de estilo, e assim compram os tecidos para fazer a coleção. Existem grandes feiras têxtil que mostram as novidades. A mais famosa delas é a Première Vision que acontecerá em setembro na França.

A conjuntura econômica e política também é influência essencial na moda. No século XIX quando a burguesia se sobrepôs à nobreza e se tornou a classe dominante esposas e filhas eram como grandes vitrines, usavam roupas suntuosas para os ricos industriais mostrarem quanto dinheiro tinham. No século XXI a moda militar aparece em função dos tempos de guerra. Na mesma onda o branco entra na passarela para mostrar que a moda e a sociedade querem paz.

Portanto, determinadas características de uma roupa se tornam uma tendência porque todo mundo dispõe do mesmo material e das mesmas percepções logo desenvolvem trabalhos semelhantes.

Contudo, o que vemos hoje na passarela pode demorar um tempo para pegar. Os consumidores precisam se acostumar com a imagem da peça para introduzi-la no seu guarda-roupa.

O que as lojas populares vendem são as tendências devidamente digeridas para atingir o público de forma certeira.

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Crédito das fotos: Chic



Cartaz de cinema
Maio 20, 2006, 11:04 pm
Arquivado em: Dicas

Em tempos de Festival de Cannes vale uma dica para os amantes do cinema.

O site francês http://www.alyon.org tem uma seção incrível onde você pode ver cartazes de diversos filmes de todas as épocas.

Tem de tudo, do cult ao blockbuster.
Os nomes dos filmes estão em ordem alfabética e em francês, mas tem cartazes em diversas línguas.

Olha o link certinho:
http://www.alyon.org/generale/theatre/cinema/affiches_cinema/

Esse aí de cima foi tirado de lá.



Mulher e moda em exposição
Maio 10, 2006, 10:18 pm
Arquivado em: Dicas

Confira abaixo uma pequena “exposição virtual” do artista plástico japonês Nobuo Mitsunashi. Outras imagens podem ser vistas no diário virtual do artista . As obras unem arte e moda. A exposição real e completa chama-se ‘37,2°C’ e está em cartaz na Galeria Deco em São Paulo até final de maio.

A mostra foi organizada pela dona da galeria, Hideko Suzuki Taguchi, e pelo próprio Nobuo Mitsunashi. O artista plástico de 45 anos é habituée do Brasil, esta é sua sexta exposição individual no país. Participou também de três coletivas, incluindo a 21ª Bienal Internacional de São Paulo e a “Contemporary Japanese and Brazilian - Japanese Art “, no Museu de Arte Contemporânea (MAC).

As obras são feitas com uma técnica mista usando feltro de lã e rendas. O tema é o corpo feminino e suas transformações ao longo dos anos . O nome da exposição é baseado na temperatura média corpórea. A inspiração veio do estudo prévio do vestuário e das personagens dos filmes “Betty Blue”; “O Piano” e “A Professora de Piano”. O material usado transmite a sensação de delicadeza e a leveza, características das mulheres (ou de quase todas).

37,2°C’ l Nobuo Mitsunashi
Galeria Deco
Rua dos Franceses, 153 - Bela Vista

11 3289.7067
28.04 a 31.05.06
Seg a dom, das 10 às 19h
Entrada Franca

Crédito das fotos: Divulgação
Agradeço ao Erico pela dica.

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Divagação do dia
Nesse caso a moda serve de inspiração para arte. Vendo obras dos conterrâneos de Mitsunashi, como Rei Kawakubo, Issey Miake, Junya Watanabe e Yohji Yamamoto nota-se que o limiar entre os dois temas é muito tênue. Acredito na moda como uma forma de arte. Os estilistas são artistas e psicólogos capazes de criar e transpor no tecido o imaginário feminino.



Bazares em São Paulo
Maio 4, 2006, 3:35 pm
Arquivado em: Dicas

O dia das mães estimula uma temporada de bazares. Vale uma passadinha para quem estiver com um dinheirinho sobrando. Só cuidado para não comprar roupas em cores estranhas que não combinam com nada só porque tá barato.

CASA MODA
A Casa Moda é um grande showroom que oferece peças de novos estilistas.
Nos os dias 5, 6 e 7 de maio, das 10 as 19h, acontece um bazar beneficente para o dia das mães. Parte da renda será revertida para Ação Solidária Contra o Câncer Infantil.
Os descontos chegam a 70% em peças de vários estilistas: Gisele Nasser, Neon, Estúdio Chocolate, Lê Sacs, Carlos Tufvesson, Branca, Tatiana Duarte, Eduardo Suppes, Juliana Jabour, Jefferson Kulig e Marcelo Quadros.

Casa Moda
Praça das Guianas, 56, Jardim Europa.
Tel. 11. 3083-1010.
http://www.casamoda.com.br

GLORIA COELHO
A loja da estilista no Shopping Morumbi abriga um bazar das peças de verão e coleções passadas até o dia 2 de junho. Os descontos chegam até 70%. Algumas peças da Carlota Joakina, desenhada pelo filho de Glória, Pedro Lourenço, também entram na promoção.

Bazar Gloria Coelho
Shopping Morumbi
Av. Roque Petroni Jr, 1089 – piso lazer
Tel. 5181.5350
http://www.gloriacoelho.com.br

ZARA
O que sobrou da coleção de verão liquidada da Zara pode ser encontrada nesse bazar que oferece 2000 peças a R$ 9,90 e outras 2000 a R$ 19,90. Também será possível comprar ternos femininos a R$ 119,00, sapatos a R$ 49,90, camisas e calças masculinas a R$ 39,90.

No mesmo lugar também tem vestidos da marca Lucidez, para as mocinhas românticas por R$ 29,90.

Mix Store
Rua Jamanari, 330 – Morumbi (paralela a Giovanni Gronchi na altura da loja Cobasi).
Tel. 3501.6513

Dia 11 de maio começa o Q!Bazar no Jóquei em São Paulo e no ITM Expo. http://www.qbazar.com.br. O site ainda não disponibiliza as marcas participantes.