moda pra ler


Moda feita da floresta
Abril 28, 2006, 5:40 pm
Arquivado em: Entrevistas, Tendências

Dois projetos de moda muito interessantes, socialmente e ecologicamente corretos, estão acontecendo em Rondônia e no Tocantins. Em ambos a produção de bolsas é o mote das iniciativas que representam geração de renda, desenvolvimento e a valorização do material extraído da floresta.

Terezinha de Paula mora em Vale do Anari, uma pequena cidade em Rondônia. Lá trabalhava como seringueira. Há dois anos ela iniciou com o seu marido, também seringueiro, a Coopeflora, cooperativa vai gerar emprego e renda para as famílias locais que vem perdendo o emprego em função da queda no preço da borracha.

A história da extração de látex inspirou a artesã a idealizar uma linha de produção de bolsas feitas com o “tecido da floresta”. Os “soldados da borracha” como eram chamados os trabalhadores que extraiam o látex da seringueira usavam “sacos defumados” para carregar seus pertences no trajeto que faziam pelo meio da floresta. Essas bolsas improvisadas eram feitas como material extraído da árvore.

Transformar seringueiros em costureiros e designers não foi tarefa fácil. Terezinha e o marido foram buscar ajuda para implantar a idéia e assim surgiram parcerias com a Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR), Governo Estadual, Ministério do Meio Ambiente e Sebrae local. O Sebrae trouxe químicos que trataram o tecido, que em sua forma primária tem um cheiro muito forte. Também foi feita uma pesquisa de aceitação de mercado, estruturação de um galpão e aquisição de máquinas de costura. A criação é coletiva e as ex –seringueiros, agora artesãos, usam linhas coloridas e sementes amazônicas para ornamentar as bolsas.

Em sua primeira visita a São Paulo, a convite da ONG WWF, Terezinha saiu em busca de oportunidades de negócios para sua novíssima linha de produção. Já conseguiu contato com uma importante marca que desfila no SPFW, que vai analisar as mantas, como é chamada a peça do tecido da floresta, para utilizar em roupas e acessórios.

Se achar dentro da sua bolsa caríssima uma etiqueta com os dizeres “Látex natural das seringueiras nativas transformadas em moda” já sabe que foi feita pelas mãos de Terezinha e seus cooperados.

Você também pode estar andando nos Estados Unidos, na Arábia Saudita, em Israel ou na ilha de Guadalupe comprar uma bolsa incrível feita com pequenas peças de madeira e se deparar com uma etiqueta made in brazil. Os mostruários da Amazon Hands já estão nesses lugares.

A empresa do tocantinense Wender Martins nasceu há pouco menos de um ano já focada ao mercado externo. O empresário tirou de suas experiências de moradia em outros países (Nova Zelândia Austrália, Espanha e Inglaterra) a vontade de produzir peças genuinamente nacionais, em que a qualidade fosse o pré-requisito.

O artesanato brasileiro sempre encantou o empresário. Foi vendo peças na cidade de Uruaçu em Goiânia que veio a idéia de produzir bolsas e objetos de decoração com pedaços de madeira.

As primeiras peças não tinham controle de qualidade e por isso foi feita a opção por usar madeira certificada pelo FSC (Forest Sterwardship Council – Conselho de Manejo Florestal). As madeiras com esse selo são retiradas da natureza de madeira controlada de forma que não agridam o desenvolvimento da floresta.

O desenvolvimento de produto é coordenado pela uruguaia Ivone Cáceres e pelo paulistano Wagner Andrade. O casal já trabalhava fazendo peças artesanais baseadas no crochê aliado a outros materiais. Além da supervisão também trabalham como artesãos.

A madeira vem em toras. As pecinhas são feitas uma a uma. Hoje a fábrica produz 500 peças por mês, todas feitas manualmente por 15 funcionários. O objetivo de Wender é conseguir aumentar 10 vezes essa quantidade. Segundo o empresário a maior dificuldade é a logística. A madeira vem do Pará, máquinas e aviamentos de São Paulo e a produção se localiza em Palmas.

Os produtos da Amazon Hands são feitos com tamanha perfeição que é difícil acreditar que a costura do forro não fica visível. Além das bolsas, são feitos: caminho de mesa, jogo americano, nécessaire, frasqueira e abajur.

As peças da Amazon Hands e Coopeflora ainda não têm pontos de vendas fixos. Por enquanto para comprar só direto com os produtores. Lojistas?

***
Notas:
Essa foi a primeira reportagem feita com entrevista para o blog.
As entrevistas foram feitas durante a II Feira Brasil Certificado que aconteceu entre os dias 18 e 20 de abril no Centro de Exposições Frei Caneca.

Créditos das fotos: Laura

Legenda das fotos de cima para baixo:
1 Terezinha de Paula e sua bolsa feita com Tecido da Floresta
2 Outros Modelos das bolsas da Coopeflora
3 Bolsas da Amazon Hands
4 Selo FSC.



Carmen Miranda e Alceu Penna Um pouco de história da moda brasileira
Abril 25, 2006, 6:01 pm
Arquivado em: História da Moda

A exposição “Carmen Miranda para Sempre” trouxe ao Memorial da América Latina em São Paulo a história da brasileira mais famosa do século XX, em fotos, discos, objetos e claro, roupas. Sem seus figurinos Carmen não alcançaria tanta notoriedade e por isso uma ala da exposição é dedicada a sua moda tão característica. A mostra estreou no Rio de Janeiro concomitantemente ao lançamento do livro de Ruy Castro.

Carmen Miranda é uma peça-chave na construção da imagem de moda que o Brasil tem no exterior. Em função de sua fama extrema ela criou uma personagem colorida e alegre, que se transformou no sinônimo de brasilidade. Hoje alguns criadores nacionais têm espaço lá fora, contudo, o caráter folclórico gerado pela estrela não foi totalmente substituído. Sua figura é fascinante e está intrínseca no imaginário mundial, por isso não é raro algum estilista revisita-la.

Dentro do espaço dedicado à moda na exposição estavam looks da Salinas, Sta. Ephigênia, Carlos Tufesson e Napoleão Lacerda. Marcas atuais que se inspiraram na artista para criar suas coleções.

A relação da diva com a costura começou cedo. Aos 16 anos aprendeu o oficio quando trabalhou na loja La Femme Chic. Com Madame Boss aprendeu a fazer chapéus, roupas e a cuidar melhor de sua aparência. Logo se tornou uma exímia costureira e, segundo sua recente biografia, ela mesma confeccionava seus figurinos. Em 1933, ela lançou a moda dos casaquinhos masculinos. No ano seguinte, um sapateiro do Catete fez, a seu pedido, os primeiros sapatos plataforma da história. Ela tinha o seios fartos e usava sutiãs que os achatavam.

O traje que a imortalizou foi o de baiana usado em “Banana da Terra” de 1938 – que não deixava ver um umbigo. Dorival Caymi além de compor a música “O Que a Baiana Tem”, assessorou Carmem a compor a fantasia repleta de balangandãs, todos muito bem descritos na letra e tudo isso por cinco dólares - pagos à vista.

Até Carmen Miranda, a fantasia de baiana não era bem vista nos bailes de carnaval porque poderia ser feita de chita e como o Brasil copiava a França, era vista como coisa de ralé.

As roupas que a cantora usava eram pesadíssimas. A saia que usou no filme “Copacabana” foi o Record: pesava 12 quilos. Uma curiosidade: Carmen foi uma das primeiras mulheres a fazer uma cirurgia plástica estética no Brasil. Ela operou o nariz, mas não gostou do resultado.

***
Alceu Penna?
Ano passado li o livro “Alceu Penna e as Garotas do Brasil”, publicado em 2004 pelo jornalista Gonçalo Júnior. O título é a biografia do célebre ilustrador da revista “O Cruzeiro”. Uma dúvida surgiu quando entrei em contato com a recente obra de Ruy Castro e vi a exposição sobre a biografada. O desenhista pouco aparece na primeira e não recebe citação na segunda. Contudo, no texto de Gonçalo, Carmen merece um capítulo especial.

Segundo relata o autor, a estrela e o ilustrador ficaram amicíssimos durante uma temporada de ambos nos Estados Unidos. Alceu serviu de intérprete para Carmen e sua banda, o Bando da Lua, além de contribuir com idéias para renovar sua imagem:

“O desenhista faz também uma série de sugestões para ‘renovar’ o guarda roupa da cantora. Adiciona ‘inclusive saias multicolores, os turbantes fantásticos e os sapatões de solas grossas. Desenhei também as suas fantasias quando ela foi para holywood com o Bando da Lua’. Cabe a ele também estabelecer para com os músicos uma mistura no mínimo exótica de fantasia: calça de smoking com sapatos e camisas listradas – então típica dos cubanos. Na cabeça, usariam chapéu panamá. Carmen deve a Alceu também o movimento que se torna uma de suas marcas registradas: o gesto de fazer ondas pela ponta da saia com o braço”. (pág. 6 8)

Contudo, a amizade de Carmen e Alceu foi breve, mortalmente abalada por uma reportagem publicada por David Nasser, um desafeto da artista. O jornalista divulgou uma biografia, revelando inclusive que a cantora nascera em Portugal Tudo isso de birra por ela ter gravado apenas uma canção de sua autoria e dado preferência para outros compositores, conforme relata Gonçalo Júnior. A estrela cedeu algumas fotos pessoas para Alceu, e essas fotos foram parar nas mãos de Nasser que as publicou maldosamente na revista “O Cruzeiro”. O livro conta que essa briga afetou profundamente o ilustrador - “Até o fim da vida, Alceu dirá aos seus amigos que esse é seu grande pesar”.

Penna assinou durante 26 anos (1938 e 1964) uma coluna que impulsionou as vendas de “O Cruzeiro”. “As garotas do Alceu” como ficou conhecida, eram desenhos de mocinhas bonitas, de corpos bem delineados, valorizados por um traço firme, aliado a cores alegres. A inspiração vinha das pin-ups americanas e seriam como modelo de beleza para as leitoras do semanário.

Foi pelo sucesso de suas meninas que o ilustrador assumiu a editoria de moda da revista nos anos da segunda guerra, em que a informação vinda da Europa, principalmente de Paris, demorava a chegar. A medida foi emergencial, porém, mostrou-se eficaz. O ilustrador passou uma temporada na Cidade Luz, e com a experiência adquirida desenvolveu figurinos para teatro e concurso de Miss. Também criou para Rhodia, que chamava nomes importantes das artes para estampar seus tecidos. Assim, Alceu Penna está entre os grandes criadores de moda brasileiros. E mesmo a dúvida se desenhou ou não para Carmen não tira a importância de sua obra para história da moda brasileira.

***
“O Cruzeiro”
A revista o Cruzeiro foi fundada em 1928. Era um dos produtos da empresa Diários Associados do magnata da comunicação Assis Chateaubriand. Foi um grande sucesso editorial. Sua maior tiragem foi de 720 mil exemplares, na edição que cobriu a morte de Getúlio Vargas. A revista acabou em 1975 em função do avanço da televisão e de revistas semelhantes, como a “Manchete”.

O Cruzeiro já está disponível na Internet.
http://www.memoriaviva.digi.com.br/ocruzeiro/

É incrível ver a moda e os costumes da época. Clique e verá “As garotas do Alceu” e Carmen Miranda encaixados no seu tempo.

***
Legenda das fotos - de cima para baixo:
1 - Capa do livro “Carmen” de Ruy Castro - Submarino
2 - Desfile Salinas/ Verão 2006 - Terra Moda
3 - Cartaz do filme “Banana da Terra” - Museu Virtual Carmen Miranda
4 - As arotas do Alceu - Moda Brasil (nesse link tem fotos e outras ilustrações do estilista)
5 - Estampas de José Carlos Marques e Thomoshigue Kusuno, estilista Alceu Penna, Coleção da Rhodia dos anos 1960 - CosacNaify



O Chá de sumiço acabou
Abril 25, 2006, 4:10 am
Arquivado em: Sem-categoria

Depois de um parada estratégica justificada por um mês de abril repleto de trabalhos árduos, o modapraler retoma suas atividades com força total. Começo com a publicação de matérias engavetadas por motivos de força maior.



Blogs de Moda Brasileiros
Abril 10, 2006, 3:16 pm
Arquivado em: Dicas, Jornalismo de Moda

O Moda Pra Ler foi um dos três blogs brasileiros indicados no site da Cristiana Arcangeli. A seção “Dicas” aponta as publicações virtuais como nova alternativa para quem quer se informar sobre moda. A Fernanda que cuida do ótimo site Oficina de Estilo (também indicado na matéria) que contou. Obrigada!

Falando nisso, o a Oficina de Estilo é um dos muitos blogs sobre moda produzidos no Brasil. Logo que comecei a escrever por aqui fiz um post sobre isso e falei que não tinha quase nenhum em Português. Engano! Fiz uma pesquisa mais detalhada e descobri vários. Peço desculpas aos colegas blogueiros. Agora acompanho as publicações nacionais e me encanto com a variedade de abordagens do tema eleito. Tem gente do Brasil todo escrevendo. É ótimo ter informação sobre o que acontece nos outros estados. Alguns blogs bem interessantes não são atualizados há um tempinho, mas vale a visita.

In Vogue
In Vogue é a área de moda do blog Conexo– O site é uma revista eletrônica que trata sobre vários assuntos. Quem coloca as matérias de moda é Alexandre Medeiros Fumagalli. Os textos são bem pesquisados. O redator, segundo consta em seu perfil, é estudante de jornalismo e mora em Maringá. O site tem atualização semanal.

Bastidores da Moda
(novo endereço: http://fashionbubbles.wordpress.com/ )
Reune matérias publicadas pela imprensa e traz impressões dos autores sobre a moda.

Santa Mistura
Esse site dá o caminho para as novidades na moda: endereços de Internet, mania entre os fashionistas, etc. A autora é antenadíssima.

Blogs sem atualização:

Moda Asia
A Gisele ta morando em Taiwan e resolveu fazer um blog de moda escrevendo de lá. Ela começou em dezembro e desde o dia 20 de janeiro não coloca nada. Uma pena.

Mini-saia
O blog teve vida curta de junho a setembro de 2004. A Janira, acredito, é da Bahia porque tem vários posts sobre a moda do estado. A autora também escreveu sobre história da moda.

Outros blogs de moda brasileiros:
http://www.moda360.blogspot.com
http://estudosartemoda.blogspot.com/
http://blackpapperdoll.blogspot.com/
http://hankypankylife.blogspot.com/
http://felipemouraf13.blogspot.com/
http://vestirbem.blogspot.com/
http://modabrasilgmi.blogspot.com/
http://eunamoda.blogspot.com
http://misslyninamoda.blogspot.com/
http://spaces.msn.com/modaeestilo/
http://republicadamoda.blogspot.com/